Meu Whats, minhas regras (vale para outros mensageiros instantâneos)

Ainda nos tempos do MSN Messenger - aquele onde se podia "sacudir a tela" quando queríamos chamar a atenção de alguém - escrevi um artigo intitulado "ChatOn". Entre tantas coisas, nele dizia que: estar online não significa estar disponível. E falava isto tanto do ponto de vista pessoal, quanto do ponto de vista empresarial.

Nos dois espectros, na era digital, as pessoas perderam um pouco a noção das conveniências, gerando grande ansiedade por "respostas imediatas".

Sim, os mensageiros instantâneos são excelentes ferramentas de comunicação. Mas quem os usa, deve ter critérios. Por exemplo: de segunda a sexta, das 8h até 19h, se o assunto é pessoal, como desejar saber como está um amigo, pense que este amigo - nestes dias e horários - está trabalhando. Então, não espere respostas imediatas.


Por outro lado, de segunda a sexta, depois das 19h e antes das 8h e sábados e domingos, se o assunto for profissional, pense que a pessoa também tem vida, família, filhos, namorada, esposa, PETs e nestes dias e horários se dedica a dar atenção aos seus. Portando, não espere respostas imediatas também.

Exceção das empresas e/ou funcionários com plantões e que disponibilizam um número específico para atendimentos de urgência.

Isto se chama "etiqueta digital". Podemos usar e abusar das ferramentas para facilitar nosso dia-a-dia, sem nos tornarmos "ChatOns" digitais.

No meu caso específico, aproveito para deixar bem claro:

Tenho dois números, um para uso exclusivamente profissional e outro para uso pessoal e este segundo também uso para agendamentos de pautas para os programas que produzo.

Meu horário de trabalho é de segundas as sextas, das 9h até 18h. Nestes dias e horários, atendo as demandas profissionais. E eventualmente respondo a amigos nos intervalos das tarefas.

De segundas as sextas, das 18h até 9h e aos sábados e domingos, reservo este tempo para meus estudos, vivo a minha vida, dando atenção aos que amo.

As únicas exceções são aos meus filhos e meu amor. Para estes estou sempre disponível.

No celular já silenciei os alertas de todas as redes sociais, bem como do Whats profissional. No meu horário de trabalho, mantenho aberta a versão web. Depois fecho e abro novamente somente no dia seguinte, quando retomo minhas atividades.

E é uma benção deixar de receber alertas. Não ficamos mais naquele estado de “vigília permanente”, diminuindo em muito a ansiedade. Meu celular praticamente não emite mais sons. Desliguei tudo: alertas de e-mails (tenho atualmente seis contas, mas já tive 15); postagens no Facebook ou Instagram só vejo quando quero, bem como no Telegram, Twitter, YouTube, LinkedIn, Netflix, Spotify, Messenger e até mesmo do banco. Quando quero ver o saldo, conferir algum depósito ou confirmar pagamentos, entro lá e faço o que for preciso.

É libertador voltar a ter o controle de nossas vidas, sem a necessidade de a todo instante conferirmos algo, apenas porque um alarme disparou. Os únicos alarmes ativos no meu celular são o despertador e alertas personalizados para três pessoas. No mais, silêncio absoluto.

Passei a dormir melhor e meus dias ganharam em rendimento.

Portanto, se tu és meu amigo, entenderás quando não te responder imediatamente em determinados horários. Se fores parceiro de negócios e/ou cliente, também entenderás, pois tens família e vida pessoal também e certamente não desejarás ser importunado em horários que reservaste para tuas outras atividades.

As ferramentas digitais são maravilhosas, mas devemos aprender a usá-las, diminuindo nossa ansiedade pelo imediatismo e ganhando qualidade de vida, que elas nos oportunizam.

Silvio Luiz Belbute
Jornalista e sociólogo
MTb 0018790/RS