Vamos falar de política?

É um tema muitas vezes chato e há um conceito geral, que diz: política, religião e futebol não se discutem.

Conceito totalmente equivocado, cujo objetivo é justamente evitar o debate – debater não discutir, é bom que se diga – político e a formação do senso crítico.

Platão já nos ensinava, dizendo: “Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam.”


Mas o que é política?

A visão aristotélica nos apresenta: política é a ciência que tem por objetivo a felicidade humana e divide-se em ética (que se preocupa com a felicidade individual do homem na pólis - cidade) e na política propriamente dita (que se preocupa com a felicidade coletiva da pólis - cidade).

Porém, antes de aprofundarmos, também é importante definir o que é Estado:

“Conjunto de instituições no campo político e administrativo que organiza o espaço de um povo ou nação. Para o Estado existir, é necessário que ele possua o seu próprio território e que exerça sobre este a sua soberania, ou seja, o Estado deve ser a autoridade máxima na área a ele correspondente.”

E há diversos modelos de Estado: Estado absolutista, Estado liberal, Estado socialista, Estados nazista e fascista, Estado de bem-estar social, Estado neoliberal. A diferença entre estes modelos está na sua organização social: uns ditatoriais, com pouco ou nenhuma participação do povo, onde o Estado exerce o poder total, sem qualquer valorização e respeito às liberdades individuais; outros mais liberais e democráticos, com grande participação do povo, onde há o pleno exercício da cidadania.

Mas em todos, independente de seu modelo, haverá sempre três atores, com mais ou menos poder: Executivo – responsável pela gestão e organização prática, planejamento e execução do orçamento nacional; Legislativo – responsável pela formulação das leis e fiscalização da aplicação do orçamento e Judiciário – responsável pela aplicação das leis.

Nos Estados absolutistas e ditatoriais, legislativo e judiciário são meras marionetes do poder executivo. Nos Estados democráticos, há separação e respeito entre os poderes, cada qual exercendo seu papel.

Outro ponto em comum a todos: o Estado não gera riquezas, nada produz. Todos os recursos vêm do povo, seja através de impostos, taxas, trabalho – escravo ou não. Portanto, nada que o Estado fornece ao seu povo é uma benesse, um favor, um presente. É apenas o retorno ao que este povo ofereceu ao Estado.

Nos Estados democráticos, o povo tem maior poder de fiscalização na aplicação destes recursos, podendo inclusive definir prioridades em sua aplicação. Nos Estados ditatórias, apenas o poder central define a destinação destes recursos, ao seu bel prazer, onde o povo não tem o direito de se manifestar.

Também têm em comum a corrupção. Não importa se democrático ou ditatorial, sempre haverá uns poucos a buscarem se locupletar com recursos que não lhes pertencem. A diferença está na aplicação da lei: nos Estados democráticos, os responsáveis pelos desvios são julgados e condenados; nos Estados ditatórias, há um simulacro de julgamento, a condenação já é certa. Em alguns Estados ditatoriais, a pena pode ser a morte.

Mas por que eu tenho de me envolver com política?

Porque é a política quem definirá os destinos dos povos, garantindo-lhes a liberdade, a cidadania, seu direito a prover sua própria renda e qualidade de vida. Não se envolver, não debater, é como dar uma procuração em branco a outros para definirem nossos destinos individuais e coletivos.

A escolha de bons representantes é fundamental. Avaliar seu passado, pesquisar sobre suas condutas, atuações em outras áreas, conhecer seu pensamento, é importante para execução de nossas necessidades, necessidades coletivas, para toda a nação, para todo o povo. Bons representantes são aqueles com projetos afinados com nossos anseios. Mais que discursos, formulação de projetos e conceitos, em consonância com nossas prioridades e as prioridades do país, região ou cidades.

No conceito de democracia, através da política, o Estado serve ao seu povo. Nos absolutistas ou ditatoriais, o Estado se serve do povo e não há o exercício da política. Apenas as políticas internas, na cúpula do poder.

Em 2022 teremos eleições no Brasil. Agora é o momento de começar as pesquisas, de avaliar os candidatos em todas as áreas, sejam aos cargos executivos, sejam ao legislativo. Em nosso sistema político, o poder executivo não tem poder absoluto, necessitando de apoios do poder legislativo na aprovação se seus projetos e definições na aplicação dos recursos. Então, tão importante em eleger um bom governante, é fundamental também eleger legislativos afinados com ideias deste governante.

Quando escolhemos bem, quando pesquisamos – sem paixões – candidatos com projetos de país, reduzimos as possibilidades de corrupção, permitimos uma condução mais tranquila da governabilidade, com respeitos às instituições e aplicação mais eficiente dos recursos oriundos de nossos impostos.

Portanto, se faz necessários debater política. Envolver-se efetivamente no processo, exercendo plenamente nossa cidadania. 

Silvio Luiz Belbute 
Jornalista e sociólogo 
MTb 0018790/RS