ARTIGO: "Bom senso", por Silvio Belbute

Nestes tempos difíceis em que vivemos, nestes tempos de polarizações e radicalismos, o exercício do “bom senso” parece cada vez mais raro.


"Elemento central da conduta ética. Uma capacidade virtuosa de achar o meio termo e distinguir a ação correta, o que é em termos mais simples, nada mais que bom senso." (Aristóteles)

Dia desses experimentei a prática do bom senso. Um dia quente no final do verão, o mar absolutamente lindo, quase uma piscina de águas translúcidas. Eu e minha namorada terminamos nossas tarefas do dia, já passavam das 17 horas. Suados, cansados, postados em frente aquela imensidão de água a nossa frente, trocamos olhares e decidimos dar um mergulho.

Sim, ainda estávamos em “bandeira preta”, com restrições para circulação na beira-mar – e somos, eu e ela, rigorosos em seguir os protocolos definidos pelas autoridades de saúde. Mas observamos que havia pouquíssimas pessoas na praia e pensamos podermos, apenas neste momento, infringir a regra.

E assim fomos. Sentir a água em nossos pés, morna, limpa, suave, foi um bálsamo para nossos corpos exaustos. Um mergulho, dois mergulhos, três mergulhos. As ondas acariciando nossa pele era a melhor prescrição, o melhor remédio para nossas dores físicas e emocionais.

De repente, em meio aquele êxtase, fomos despertados de nossa transcendência por um apito agudo, forte. Olhamos para a margem e lá estava um salva-vidas. Saímos da água em sua direção, já apreensivos pelo que viria:

- Boa tarde, quero alertá-los sobre aquela linha, aquela corda da rede que está na água. Cuidado. Se ela arrebentar, poderá machucar vocês.

- Obrigada, queríamos apenas dar um mergulho, já estamos saindo. Desculpe. 

Respondeu minha namorada.

- Não tem problema, está proibido, mas não tem muita gente na praia. Queria apenas avisar sobre a corda. Temos que nos cuidar e seguir as regras. Estamos aqui para ajudar.

A fala gentil, amigável, tranquila, só fez aumentar nossa culpa por temos cometido a infração.

Aí está o exemplo de “bom senso”. Uma chamada de atenção mais eficaz, ao contrário das ações mais truculentas a que nos acostumamos.

Bom senso é diferente de senso comum. Bom senso é encontrar o equilíbrio, é intuitivo. Senso comum, muitas vezes, se baseia em falsas premissas, em fundamentos equivocados, que resultam em “comportamentos de manada”.

Gentileza gera gentileza. E o bom senso é a base para as boas relações entre as pessoas.

Infelizmente não perguntamos o nome daquele salva-vidas, cumprindo sua função de maneira elegante, exercendo sua autoridade de forma serena e fazendo cumprir a regra de maneira tranquila.

Bom senso: use sem moderação.

Silvio Luiz Belbute
Jornalista e sociólogo
MTb 0018790/RS

https://atitudepositivacomrenatomartins.blogspot.com/2021/04/artigo-bom-senso-por-silvio-belbute.html