SOBRE OS EFEITOS PSICOLÓGICOS DO ATENTADO - Por Miriam Gomes De Freitas

Passados os dias gloriosos da eleição, o nosso presidente está sofrendo dos efeitos do atentado. Psicologicamente acuado e fisicamente fragilizado, parece sentir-se seguro exclusivamente no âmbito familiar. Precisa superar a desconfiança no mundo externo. É compreensível que haja um recuo para o refúgio endogâmico da família como único espaço possível de segurança. Mas isto vai destruir a possibilidade de uma ação coerente no mundo externo.

O filho Carlos já deu mostras de ideias paranoides quando resolveu que deveria acompanhar o pai no carro da posse, justificando essa necessidade por seus “pressentimentos” de que algo ruim poderia ocorrer. Ninguém nega que os perigos são reais e não fictícios, nesse caso a palavra “paranoia” não é utilizada no seu sentido pleno mas sim no sentido de uma nuance que colore um quadro real. No entanto, a comunhão sem críticas com um contexto psicológico tingido pelo medo há de levar ao caos.

O presidente precisa fazer um esforço em direção aos seus aliados no mundo externo. Esses aliados existem e assim como seus inimigos, também são reais. A nação está à espera. O presidente recebeu um voto de confiança. Precisa honra-lo. A distorção feita por Carlos no caso do Ministro não pode ser contemplada. Sugere o destempero de um desequilíbrio emocional que vê ameaças por todo o lado.

Presidente, recupere-se e encare a nação. Deixe seus filhos com suas atribuições próprias. O senhor não precisa desse tipo de cão de guarda.

Miriam Gomes De Freitas

*Artigo publicado originalmente em 18 de fevereiro de 2019 em sua página no Facebook.