Aerys II, o Rei Louco - por Miriam Gomes De Freitas

O fantasma de Aerys II, o Rei Louco, reencarnou num crocodilo e inspira uma cepa de Neo Targaeryans através de seus teleguiados.

Neo Targaeryans querem queimar Westeros em prol da pureza. Acharam o impeachment e a eleição pouco.

Não entenderam que ir contra o impeachment, porque não resolveria tudo de uma vez, seria o mesmo que abandonar alguém sangrando no meio do campo por não contar com todas as vantagens de um hospital bem aparelhado.

Desprezando o impeachment, preferiam, dizem eles, ter acabado com STF, Câmara e Congresso. Mas o impeachment pelo menos estancou o sangramento. Para o Rei Louco, Aerys II, não basta, não serve.

É verdade, não basta. Mas serve sim. O ideal - limpar as instituições corruptas - precisa ser praticamente viabilizado, de preferência dentro da constituição.

A opção dos neo Targaeryans, seria acabar com as instituições, no coice e no palavrão, pois ainda por cima sequer manobram as forças armadas. Ou incendiar tudo com o poder da goela do dragão. Ou, jacobinamente, instaurar o terror.

Com o capital polîtico de JB tudo seria constitucionalmente factível. Mas os neo Targaeryans escolheram a paranoia e a histeria de Aerys II, em vez de governar com racionalidade, realizando o necessário, constitucionalmente, através de”malvados escolhidos”, dentro do rito democrático, passo a passo, como foram o impeachment e as eleições. Obstáculos superados, apesar das urnas e dos opositores.

Agora estão embretados, querendo ganhar no grito. Que vençam na governabilidade, sem que seja preciso chamar o batalhão. Mas eles pedem a guilhotina e o fogo dos dragôes para atingir o estado de pureza absoluta a que aspiram, num sonho de poder totalitário, sem oposição. Tipo seita, onde quem discorda é herege. À maneira do Rei Louco.

Texto publicado por Miriam Gomes De Freitas em sua página no Facebook, em 20 de maio de 2019.