Eleições 2018 – e-Voto

Está foi a primeira eleição puramente da internet: as redes sociais comandaram o show e colocaram no córner as mídias tradicionais e grandes redes de comunicação. Já no horário eleitoral gratuito os maiores tempos de TV não atingiram os resultados como em outras eleições.

Bolsonaro não representa o “novo” na política. É deputado há 30 anos e já conhece os meandros do congresso. Porém, soube utilizar - e foi muito bem orientado – os recursos tecnológicos, principalmente as redes sociais.

Não é também um “fenômeno novo”. Barack Obama já havia se utilizado da internet e das redes sociais em sua primeira eleição ao governo dos EUA.

Desta vez os MAVs (Militantes em Ambientes Virtuais) da esquerda perderam a guerra para o exército do “mito”.

Também é fato o exorbitante crescimento na veiculação de “fake news”, de ambos os lados. Não há santos nesta guerra de informações e contra-informações.

E ai está o diferencial, não compreendido por marqueteiros e políticos da “velha guarda”. Estes apostaram suas fichas na TV, sem avaliarem a queda nos índices de audiência. Este sim, em termos de Brasil, um fenômeno novo: o público em geral está deixando de assistir TV, migrando para outras mídias (YouTube, Netflix, Crackle, Look, Mubi, entre outros), além das redes sociais.

Esta migração já ocorre há anos nos EUA e Europa. Na América do Norte a proporção já é de 6x1 e a audiência dos programas de TV cai vertiginosamente.

Já nas eleições de 2014, diversos candidatos a deputados (estaduais e federais), preferiram utilizar as redes e mídias sociais, deixando de lado os programas tradicionais na TV.

Neste pleito assistimos a uma inversão: a mídia tradicional sendo pautada pelas redes sociais. Blogueiros, YouTubers saíram do anonimato para o estrelado em poucos meses, capitalizando seguidores aos seus candidatos, traduzidos em votos que os elegeram.

É um caminho sem volta. As grandes empresas de mídia que ainda resistem a integração das plataformas, certamente desaparecerão em poucos anos. A velocidade da informação e a instantaneidade proporcionadas pelas redes sociais, não são acompanhadas pelos velhos padrões das redações e editorias tradicionais.

Esta foi, em termos de Brasil, a primeira eleição dominada pela internet. Estamos a um passo do “e-Voto”: não precisaremos sair de casa para eleger nossos candidatos.

Quem viver, verá.

Silvio Luiz Belbute
Sociólogo e Jornalista (MTb 0018790/RS)