Eleições 2018 – o pêndulo político

Em ciência política estudamos a “teoria do pêndulo”, como resume João César das Neves: o movimento oscilatório do pêndulo tende sempre para o equilíbrio. E quanto maior é o ângulo total de oscilação do pêndulo, maior e mais vigoroso é o movimento de retorno do pêndulo à posição oposta, sempre procurando, assim, o equilíbrio. Se aplicarmos o conceito da lei do pêndulo às sociedades humanas, o ponto de equilíbrio é o “justo-meio” de Aristóteles. Quanto mais uma sociedade se afasta do justo meio, através de posições políticas radicais conduzidas por uma elite de iluminados gnósticos (esquerda), maior será, no futuro, a reação que obriga o movimento pendular da História a retornar ao equilíbrio do “justo-meio”. O problema é que o movimento pendular histórico de retorno, tendente ao equilíbrio, vai ter que contrariar o radicalismo ideológico da fase histórica anterior, causando feridas profundas na sociedade.

O Brasil não está sozinho neste fenômeno: na Europa os movimentos à direita cresceram e diversos países já operaram a guinada (Áustria, Holanda, Itália, Suécia) e em outros os partidos “de direita” estão crescendo, como na Alemanha, França, Portugal e Espanha.

Em 2018 não tivemos uma eleição para presidente: tivemos um plebiscito a favor ou contra o PT e a esquerda. Muitos eleitores – arrisco dizer a maioria – de Bolsonaro, votaram contra o PT.

Não houve, ao longo do pleito, discussões ou debates de ideias, projetos de país. Houve, sim, uma generalização de ambos os lados, trabalhando em cima dos anseios da população e de seus medos.

Os efeitos da Lava-Jato são inegáveis e a prisão de Lulla o grande divisor de águas. Mas é preciso estar atento, pois mesmo preso e ainda sem uma definição objetiva de sua inelegibilidade, o ex-presidente liderou as pesquisas de intenção de votos. Também é fato: transferiu seu capital ao seu escolhido. Haddad, por si, um total desconhecido. Em minhas andanças pelo interior, entrevistando a população para pesquisas eleitorais, vi que a maioria nunca tinha ouvido falar em Haddad. E estes apostavam no candidato indicado pelo PT ou por Lulla.

Os problemas começaram na gestão Lulla, mas estouraram no colo de sua escolhida, Dilma Rouseff. Esta caiu por perder a base de apoio no congresso. Os efeitos foram sentidos pelos trabalhadores: queda na renda, perda de emprego (chegamos a 14 milhões de desempregados), perda do crédito, entre outros fatores. 
Este cenário criou o ambiente propício para a mudança. As pessoas estavam irritadas com o governo.

Com o “caldo de cultura” formado, bastava que alguém incorporasse estes anseios e temores, ajustasse o discurso para capitalizar bons resultados. E Jair Bolsonaro soube fazê-lo com maestria, a começar pelo discurso da “segurança”.

Bolsonaro não é nem de longe um homem “de direita”. É, isto sim, um populista – como Lulla (não estou fazendo comparações de caráter ou moral, apenas de perfil político) – que soube tirar proveito da guerra cultural e chamou a atenção de fatia expressiva dos jovens. Também soube explorar os recursos das redes sociais e literalmente “viralizou”.

O cansaço do discurso esquerdista, sem os resultados consequentes, mais um político que soube “vestir o figurino”, são os elementos responsáveis por mover o pêndulo para a direita.

Mas é sempre bom lembrar: é um movimento pendular. E tudo que vai, poderá voltar.

Silvio Luiz Belbute
Sociólogo e Jornalista (MTb 0018790/RS)
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