Eleições 2018 - Brasil dividido


Ao contrário do que muitos falam, o país sai destas eleições ainda mais dividido. E esta divisão tende a aumentar e recrudescer. Nenhuma liderança nacional, atualmente, tem as condições de pacificar e unir o Brasil.

Sem os “mimimis” de costume, temos de lembrar fatos claros e precisos:
- Bolsonaro fez a maioria sim, 49,85% dos votos totais;
- Haddad (PT/Lulla) fez 40,57% dos votos totais e
- Descontentes com as opções anteriores, votos de protesto somaram 30,87% dos votos totais. Um dos maiores índices dos últimos tempos.

Por si só, os dois primeiros números já demonstram o tamanho da divisão nacional. Basta avaliar as postagens de ambos os lados (seguidores, fãs, fanáticos) nas redes sociais, para percebermos o tamanho do “canion” aberto no centro do país.

Bolsonaro fez votação expressiva nas regiões Sul e Sudeste, enquanto Haddad dominou a região Nordeste. Porém, se nos debruçarmos sobre o mapa eleitoral, veremos núcleos importantes de eleitores do PSL em áreas do PT, tanto quanto o inverso também é verdadeiro.

Já ao final e no dia seguinte ao pleito, os discursos de ambos não foi pacificador. Haddad foi descortês ao não cumprimentar e saudar o presidente eleito; da mesma forma, Bolsonaro não fez qualquer gesto de conciliação e já na entrevista ao Jornal Nacional, voltou a se justificar. Ora, já é o presidente eleito, não precisa mais do palanque e muito menos se justificar ou descer ao nível de seus opositores. Seria a hora de adotar a postura de magistrado, presidente de todos os brasileiros. Ele o disse, mas da boca para fora.

O PT, ainda sob a batuta de Lulla (mesmo preso) e de José Dirceu, voltarão à carga, como fizeram historicamente, desde o governo Sarney. E agora com mais virulência e agressividade. Contam, nesta missão, com a ajuda de partidos ainda mais extremistas, como PSOL, PSTU e PCdoB.

O PT nunca soube perder. E Bolsonaro não tem o perfil de “estadista”, tem pavio curto e não levará desaforo para casa – ou para o Planalto. “Caldo de cultura” pronto para conflitos e enfrentamentos.

Visualizando a composição da Câmara de do Senado, tal divisão nacional fica ainda mais clara. Bolsonaro faz contas de ter cerca de 266 deputados, já com os 52 eleitos pelo PSL; a esquerda mais radical tem 148 deputados e o “centrão” – menos radical, mas sem adesões – conta com 99 deputados. Ou seja: serão 266 x 247.

Há que considerar também: dependendo das propostas do futuro governo, a fidelidade destes 266 parlamentares não é garantida.

Os próximos quatros anos serão tensos e de embates frequentes. O PT e seus satélites colocarão lupas enormes sobre a gestão Bolsonaro e qualquer indício de desvio, colocarão holofotes gigantes. Como são especialistas em “assassinato” de reputações, também veremos uma grande profusão de “fake news”.

Ao redor de Bolsonaro convivem forças divergentes, desfavorecendo o novo presidente, exigindo resolver os conflitos internos. E já o percebemos, na medida que futuros ministros são desautorizados por outros candidatos à explanada dos ministérios. Sem falar dos militares, dando palpites na composição das diretorias de estatais.

O PT conseguiu, novamente, atingir seu objetivo: dividir o país, colocar irmão contra irmão.

Silvio Luiz Belbute

Sociólogo e Jornalista (MTb 0018790/RS)
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