Entrevista com Percival Puggina

Durante o Fórum da Liberdade 2018, tive a oportunidade de entrevistar Percival Puggina. Conversamos sobre a prisão de Lula e seus efeitos na política brasileira, cenários eleitorais e até a infiltração da KGB nos movimentos religiosos na América Latina.



BB- Tivemos um final de semana muito movimentado em São Paulo, um teatro armado e que a população brasileira vibrou com os acontecimentos finais daquele sábado. Como é que tu avalia a prisão do Lula?

PP - Foi altamente pedagógico. O Brasil tem aprendido muito. O brasileiro de bem, que quer o bem do país. Que acha que as coisas tem que ser resolvidas de modo pacífico, dentro da lei e da ordem, que bandido tem que ir pra cadeia, quem é inocente tem que andar solto, quer viver em paz, quer viver sem ser roubado pelo estado, quer viver sem ser roubado pelos ladrões. Quer o direito de se realizar pessoalmente, enfim, quer um espaço de ordem para viver em paz com sua família. Este brasileiro, que é a imensa maioria da população, está aprendendo que tem um grupo político que quer outra coisa, que quando assumiu o poder simplesmente acabou com a economia brasileira, criou um estado enorme, se infiltrou em todas as estruturas do estado, não tem nenhum respeito pela ordem, pela lei, se as coisas não acontecem como querem partem para a violência, para a agressão, enfim, o brasileiro aprendeu isto. E ali houve um concentrado. Eles conseguiram detonar uma cerimônia religiosa, vimos um pinguço deitando ordens para a multidão, se recusando a obedecer uma ordem judicial: "eu vou para a cadeia quando eu quiser". E a sociedade está vendo e está dizendo: não é isto que eu quero. A sociedade pode não saber ainda o que quer, mas isto a sociedade sabe que não quer.

BB- Lula fora do páreo, mexe no tabuleiro da corrida presidencial?

PP- Mexe e abre espaço para outras figuras que, lamentavelmente, se inclinam para andarem na mesma direção. Estou me referindo a todo o bloco da esquerda, a maior parte da qual estava em cima do palanque com ele, já pegando a unção e ele tratando de fazer isto mesmo.

BB- Como ele já sabia do desfecho, ele fez o papel de dizer quais seriam seus escolhidos.

PP- Isto, enquanto se apresentava como um "sacramento", uma "eucaristia" da desgraça política, se "repartindo" entre todos que estavam ali...roubando textos do evangelho, roubando textos da Carta de São Paulo aos Gálatas, fazendo plágios indecorosos, profanando tudo que ele podia profanar naqueles últimos momentos.

BB- Eu já tinha ouvido falar em "missa negra", mas "missa vermelha" foi a primeira vez que eu vi. E este padres que se prestam a este papel?

PP- Padecem do mesmo mal,.do mesmíssimo mal. Ele foram tomados, pelo ponto de vista teológico, pela Teologia da Libertação, que outra coisa não é que o marxismo molhado em água benta. E entrou numa parte expressiva do cléro católico que hoje comanda a CNBB. Eu digo sempre: não tenho nada contra a CNBB. A conferência tem que existir, tem um papel importante. O problema é que esta conferência que está ai, com seu comando, tá dominada pela TL. O meu problema é com a TL (Teologia da Libertação).

BB- Há uma corrente de pensamento e até um ex-general da KGB que dizem ter sido urdida dentro dos escaninhos da KGB (a Teologia da Libertação). E que veio para cá nos anos 60, como estratégia para se infiltrar nos movimentos religiosos. Como tu vê esta ideia?

PP- Eu tenho como altamente provável, como uma série de fatores paralelos, além da declaração deste general, há a declaração de um ex-espião (não lembro a nacionalidade dele), que está morando nos EUA, que diz a mesma coisa.

BB- Era romêno, se não me engano.

PP- Esta infiltração é evidente, por exemplo, naquela organização mundial das igrejas, ali é muito presente a ação da KGB. E surge numa época em que a União Soviética realizava uma série de revoluções em diversos países, usando a mesma forma de comunicação, o mesmo jargão político. Então são  muitas semelhanças, coincidências. E digo mais: seria absolutamente inimaginável que a KGB não fizesse isto. Então muita coisa contribue para que esta ideia se forme. Quando se lê os livros do Frei Beto, quando ele conta de suas viagens ao Leste Europeu, isto fica bem claro.

BB- Deveriamos trazer estes fatos mais a tona. Diria que temos até uma responsabilidade social em tirar estes véus. Já desnudamos o Foro de São Paulo, que era inimaginável anos atrás estar na boca de todos. E estas coisas todas ligadas ao marxismo cultural, são coisa que temos de levantar e trazer para o grande público.

PP- Hoje já tem muita gente fazendo isto, graças ao Olavo de Carvalho. Dê-se o crédito a quem tem. Foi ele quem começou a tratar deste assunto em larga escala. Hoje formou uma geração de bons autores, que estão escrevendo muito sobre isto.

BB- Como tu vês o Brasil em 2019?

PP- Não consigo ainda discernir este horizonte. Já no ano passado eu conseguia discernir este horizonte de 2018, quando dizia que as estimativas para a economia brasileira estavam extremamente otimistas. Porque todos os anos eleitorais, dado o nosso modelo eleitoral presidencial, que cria um nível de incertezas muito grande, com possibilidades de alto risco, como por exemplo uma eleição do Lula ou agora uma possibilidade de eleição de Ciro Gomes - do lado esquerdo não tem ninguém para
fazer frente ao Ciro - tudo isto retrai investimentos, os investidores ficam sem saber: vamos esperar para ver o que vai dar na eleição. Então não tem como ter um crescimento bom para 2019, com investimentos congelados em 2018.

BB- Flávio Rocha, achas que é o novo neste cenário?

PP- Não vejo no Flávio Rocha ou mesmo no Amoedo, pessoas com agendas com as quais concordo em 90%, eu não vejo que tenham estrutura partidária, que sejam suficientemente conhecidos do eleitor, numa campanha eleitoral de curtíssimo prazo - onde os candidatos mais qualificados estão em partidos pequenos - cuja presença nos debates ainda é uma questão aberta, porque os partidos não tenham ainda representatividade suficiente para isto. Então eles enfrentarão campanhas em
situações muito adversas.

BB- Pela tua percepção, quem despontará lá na frente?

PP- Eu vejo três nomes com impulso para chegar: Alckimin, Bolsonaro e Ciro Gomes. É o que eu vejo.

BB- Deus nos livre de Ciro Gomes.

PP- Deus nos livre de Ciro Gomes.

Silvio Luiz Belbute
Jornalista
MTb 0018790/RS