Psicopata, o mentiroso contumaz - por Carla Rojas Braga

Todo mundo mente de vez em quando, mas temos de distinguir a mentira banal da mentira psicopática. O psicopata usa a mentira como um instrumento de trabalho. Em geral, está tão treinado a mentir que é difícil perceber quando mente. Mente olhando nos olhos e com atitude totalmente neutra e relaxada. Não mente circunstancialmente ou esporadicamente para conseguir safar-se de alguma situação. Ele sabe que mente e não se importa. 

Inclusive tem muito prazer em mentir. É o momento em que tenta demonstrar sua superioridade frente aos "tolos" que engana. Diz o que convém e o que acha que esperam ouvir. 

Mente com a palavra ou com o corpo, quando simula e teatraliza situações vantajosas para ele, podendo fazer-se de arrependido, ofendido, magoado. É comum priorizar algumas fantasias sobre circunstâncias reais, porque sua personalidade é narcisística e quer ser admirado. Ser o melhor líder do mundo, o mais justiceiro ou o mais injustiçado. Assim, tenta adaptar a realidade a seu personagem, de acordo com a circunstância e com suas necessidades narcisísticas. Pode converter-se no personagem que sua mente cria como adequada para atuar com sucesso, dando a todos a sensação de que estão, de fato, frente a alguém verdadeiro. 

Tem grande dificuldade para entender os sentimentos dos outros, mas, havendo interesse próprio, dissimula esses sentimentos politicamente desejáveis. É uma pessoa muito fria, sem nenhuma empatia. Nunca se deprime, porque não tem remorso. Não tem freios para impulsividade, o que o move a cometer crimes. Tem baixa tolerância às frustrações. Jamais aceitará os benefícios da advertência e da correção. Pode dissimular durante algum tempo seu caráter antissocial, mas, na primeira oportunidade, volta a agir, o que o torna incorrigível. 

Os psicopatas precisam ser apartados do convívio com a sociedade para o bem de todos. 

Carla Rojas Braga
Psicóloga e psicoterapeuta

Publicado originalmente no Jornal do Comércio em 23/01/2018
http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2018/01/opiniao/607774-psicopata-o-mentiroso-contumaz.html