A necessária reforma da previdência

Há muita desinformação e, claro, paixões envolvidas. Ninguém abre mão de privilégios sem espernear. A questão é meramente lógica, de matemática.
A expectativa de vida ampliada nas últimas décadas, os inativos cresceram muito, enquanto muitos postos de trabalho formais foram extintos. Quem de fato estuda cálculo atuarial, vê isto.

Não adianta este papinho de "construiram a ponte Rio-Niteroi", "reformaram não sei o quê", "roubaram milhões, se não roubassem tinha pra todos".
Por que a maioria recebe pouco? Porque a base da pirâmide é pequena. E está diminuindo cada vez mais.

Para entender melhor:
Em 1992 a população economicamente ativa somava 92.327.120 de pessoas, enquanto inativos eram 7.693.926. A relação era de 12 ativos para cada 1 inativo. Equilíbrio, mas ainda frágil. Lembrem que já naquele ano, em pleno governo Collor/Itamar, já se falava em déficit da previdência e necessidade de reformas. Itamar Franco nomeou Antonio Brito ministro da previdência e tentou a primeira alteração, sendo "torpedeado" pelo PT e demais "esquerdóides".

Em 2002 a população economicamente ativa passa para 93.279.000 pessoas, enquanto os aposentados e pensionistas somavam 20.752.506, ou seja: 4,49 ativos para cada 1 inativo. Em 10 anos os inativos crescem "apenas" 3 vezes. A legislação amplia os benefícios, sem as devidas contrapartidas e muitos que jamais contribuíram, passam a usufruir das aposentadorias.

Em 2003 Lulla consegue aprovar alterações, taxando servidores inativos, fixando idade mínima e teto de benefícios. Mas a maioria do povo não lembra. Em 1998, o PT votou contra a reforma proposta por Fernando Henrique, que conseguiu emplacar o "fator previdenciário".
Em 2011 temos: 105.277.000 ativos contra 28.909.419 inativos. Relação de 3,64. Ou seja, para cada 3,64 ativos, 1 inativo.

No governo Dilma, em 2015, também é discutida a reforma da previdência, junto com a reforma trabalhista. A mesma pauta hoje no governo Temer. 

As informações estão todas disponíveis na internet, fartamente documentadas pelos principais jornais do país. Basta pesquisar e deixar de seguir as "ondas" e os "panfletos partidários".

O sistema, como está, não se sustenta e implodirá logo adiante. Ser contra as reformas hoje, para conquistar votos - principalmente de servidores e aposentados - é pura irresponsabilidade. A seguir, caso vençam, morderão as línguas e reverterão seus discursos falaciosos.

Detalhe: este problema não é apenas brasileiro. Diversos países mundo a fora estão buscando soluções. França o fez ainda na gestão do socialista François Hollande. Macri está fazendo o mesmo na Argentina.

Os números apresentados foram coletados no IBGE e INSS. São públicos.