A Ética, o Lúdico e o Bélico

Ética. Tão falada em nossos dias, mas pouco conhecida pela maioria. Vamos a sua definição: do grego “ethos” – modo de ser, comportamento. Estuda a melhor maneira de viver em sociedade, no nosso dia-a-dia, nas nossas relações pessoais. Como sou fã de Aristóteles, prefiro seus ensinamentos sobre Ética, maravilhosamente descritos em “Ética à Nicômano”: “nem tão corajoso que arrisque sua vida numa batalha sem sentido, nem tão covarde que deixe de lutar pelo que acredita, por medo ou omissão” Ai o filósofo grego nos ensina algo que podemos levar para toda a vida: o meio-termo, o bom senso. Aristóteles pregava que a felicidade (eudemonia) não estava nos prazeres, nas honrarias, nas riquezas e sim na Virtude (areté). Esta, por sua vez, consiste num exercício diário da prudência (phronesis).

O Lúdico. Do latim “ludus” – brincar. Thomas de Aquino resgata Aristóteles e sua obra sobre “Poética”, em que pregava a natureza boa e cognitiva do riso. Em “Suma Teológica”, Aquino ressalta que “brincar é necessário para a vida humana”. Mais recentemente o educador Piaget nos diz que “o jogo não pode ser visto apenas como divertimento ou brincadeira para desgastar energia, pois ele favorece o desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e moral”.

Bélico: do latim “bellicus” – relativo à guerra, guerreiro, marcial, militar. Daí o “belicismo”, doutrina que defende as guerras ou as soluções bélicas.

A formação e constituição das Redes visam às relações entre seus membros, de forma horizontal: todos estamos sobre a mesma linha. E estas relações somente têm chances de prosperarem, evoluírem, se fortalecerem, com base na confiança, na solidariedade, na cooperação.

Trocar experiências, disseminar conhecimentos, são vias de “mão dupla” e somente ocorrerão se houver disposição de todos em compartilhar. De forma serena, “prudente”, ética, com bom senso. E se for sorrindo, brincando, ainda melhor.

Dividir as descobertas, dar dicas, ensinar e aprender, são formas de nos relacionarmos e firmamos laços de amizade.

Na Física, a Terceira Lei de Newton nos ensina que “a toda ação resulta em uma reação de mesma intensidade, mesma direção e sentido contrário”.

Como disse entre outro artigo e comentei com a Hellena no bate papo, o mundo virtual não é em nada diferente do mundo real, exatamente porque somos nós que o realizamos. E para cá trazemos toda nossa carga. De conhecimentos, emocional, de visão de mundo e de vida. Nossos traumas, nossas alegrias, nossas fraquezas, nossas virtudes.

Alguns, por desconhecerem o mundo virtual, imaginam que o uso de pseudônimos, apelidos, nick name, ou perfis “fakes” os deixarão a salvo no anonimato. Estão enganados, pois não há mais anonimato na rede. Vivemos em plena “Era Big Brother” (baseado em 1984 – O Grande Irmão de George Orwell, não neste arremedo de programa global, por favor).

E pensando estarem protegidos, dão vazão ao que já trazem dentro de si, muitas vezes ocultado ou reprimido no mundo real.

Ora, a Ética, como já disse em outra ocasião, não é uma roupa que usa para passear. É prática cotidiana.

Aqui temos a oportunidade de exercitarmos o lúdico, resgatando nosso lado criança. E que belo exercício. Que auxilia em nosso desenvolvimento, em nossa afetividade, estimula nossa cognição. Além de ser prazeroso, relaxante.

Sim, há quem procure o confronto. São os mesmos que na vida real escondem as cartas, brigam no jogo de futebol com os amigos, não aceitam perder, porque não sabem lidar com as frustrações. Talvez em sua educação, em seus lares, tenha faltado limites. E quando se deparam com os obstáculos, buscam a solução bélica. Partem para a guerra, o tudo ou nada.

Ora, meus amigos, algo diferente de nossa sociedade? Não, apenas um espelho. Muitas vezes distorcido, amplificado, pela falsa segurança de estarmos atrás de um monitor, de um teclado, sentados confortavelmente em nossos “bunkers”, de onde podemos enviar comandos de atacar.

Este é o fator humano. Não percebo nos jogos em si, a questão da competição. Ao contrário, vejo o estimulo a cooperação, ao trabalho conjunto, em equipe, com regras claras e bem definidas.

Vamos então praticar, aqui mesmo, a Ética. Vamos nos deixar levar pelo Lúdico. Vamos sorrir, brincar, abandonando o Bélico e dando lugar à fraternidade e solidariedade, que fazem muito bem a alma.

Silvio Luiz Belbute
Jornalista MTb 0018790/RS