E o Sapo virou Príncipe – Um conto de fadas tropical

Há muito tempo, numa terra distante, “bruxas” malvadas lançaram seu feitiço em um Príncipe e ele virou Sapo. E como
Sapo foi condenado a viver numa floresta repleta de outros inimigos, seus predadores naturais: “cobras”, “lagartos”,
“camaleões”, entre outros bichos.

Durante muito tempo o Sapo buscou fortalecer-se, tentando organizar outros bichos da floresta, mas contava apenas com “aranhas”, "mosquitos”, “muriçocas”. Enfim eram bichos que mais o temiam que o admiravam, pois ele também era seu predador natural e não havia garantias de que não iria comê-los.

Certa feita, quando os bichos maiores se uniram para tentar derrubar as “bruxas”, chegaram a cogitar em colocar o Sapo como candidato, afinal foram as “bruxas” que o criaram. Um dos bichos chegou a dizer que “teria que engolir o Sapo Barbudo”.

Mas acabou dando em nada e as “bruxas” conseguiram que seu candidato, “O Caçador”, ganhasse. Não durou muito a alegria da “bruxas”, afinal “O Caçador” era ruim de mira e lá pelas tantas acabou atirando no próprio pé. Ai assumiu outro “bicho” estranho, que ninguém conseguiu definir até hoje o que era. De relance parecia um “ornitorino”, uma mistura de vários bichos que não deram muito certo.

Eis que surge um nobre, que conhecia muito bem os “bichos” da floresta, o “Sapo”, bem como as “bruxas”, entre outras coisas. E o nobre encantou a todos, menos algumas “muriçocas”, “mosquitos” e “camotinhos”. Mas estes “bichinhos” não representavam muita coisa e não tinham muita força. Incomodavam com suas picadas doloridas e seus zumbidos e só.

Lá pelas tantas o tal nobre quis ser “Rei” e lutou tanto e de tanto bater o pé, conseguiu ficar mais um pouco no “Trono”, com a benção das “bruxas” e de outros “bichos” mais espertos. E ninguém percebeu que “Sapo” tinha conseguido organizar aqueles “insetos” barulhentos. E, como se a praga das “bruxas” se voltasse contra elas, os “insetos” se multiplicaram enormemente, causando uma grande epidemia. Até alguns dos outros bichos começaram a imitar os “insetos”, querendo parecer como eles, para poderem estar juntos na grande aliança da floresta.

Numa última tentativa, as “bruxas” mandaram uma ovelha, mas foi sacrificada pela corte e servida num grande banquete para os nobres. Outros surgiram para acabar com a festa da floresta, até “garotinhos” foram usados no desespero. Então aquele nobre, que queria ser “Rei”, mandou um “Fiscal da Dengue” para combater a epidemia. Mas já era tarde: o coitado estava cansado, não sabia manusear os equipamentos e venenos, que ainda por cima estavam vencidos.

O “Sapo” ganhou e o virou Príncipe novamente...e foi, com sua donzela, viver no castelo. As “bruxas”, percebendo o que estava acontecendo e sem poderem fazer mais nada, trataram de fazer um curso rápido pelo Internet e tornaram-se “magos”, “duendes” e “gnomos” e foram avisar ao Príncipe que seriam defensores das florestas, guardiãs das águas, dos ventos e da terra...estariam ao seu lado para orientá-lo e auxiliá-lo.

E finalmente quebrou-se o encanto. Agora não haveria mais “bruxas”, nem bichos estranhos...os “insetos” estavam sob controle e todos viveram felizes para sempre.

*Publicado no "Baguete - Jornalismo Empresarial Digital" em 20/01/2003