4 dias de hospital - parte I

Começarei a relatar situações que vivenciei, percebi, ouvi, vi, senti...enfim, tudo que pude absorver nos 4 dias em que estive as voltas com o Bruno nas áreas de saúde da cidade.

Confesso: sou um sujeito de muita sorte.
Sou crítico do nosso sistema de saúde, principalmente dos chamados "gestores" da área, os quais reputo enormemente incompetentes. Qualquer cidadão que visite postos de saúde e secretarias municipais perceberão diferenças gritantes. Por exemplo: pintura, ar-condicionado, cadeiras e bancos...pra ficar só na infra-estrutura.
Mas todas as vezes que utilizei o sistema, este funcionou muito bem.

Na quinta pela manhã o Bruno começou a ter enjoos e vômitos. Como não tinha febre, inicialmente pensei tratar-se de algo que comera. Reclamava de dor na barriga. Fui checar o leite para descobrir se era o causador - afinal, tudo que foi noticiado sobre o leite nos últimos tempos o colam na fila de suspeitos. Gosto e aparência normais.
Mantive o Bruno hidratado, fiz massagens na barriga (as vezes é apenas falta de mais carinho) e o calor da mão pode ajudar a aliviar. Chegou a adormecer e cochilar por uns 15 minutos e então acordou já me chamando aos berros e de longe já ouvia o tamanho do estrago. Depois da crise, disse que tinha passado, já se sentia melhor, sem dor.

No almoço dei apenas umas bolachinhas de água e sal e água para tomar. Comeu com medo de vomitar de novo. Passado um tempo, veio tudo embora. Bom, ai já tinha passado da conta e o levei à UPA - Zona Norte.

No trajeto, imaginava que ficaria ali por horas até ser atendido, mas que, se ele tivesse alguma nova crise, estaria no luga adequado. Na recepção perguntei qual o tempo médio de espera. A atendente respondeu: 1h. Ok, fazer o que, né? Sentamos e ficamos aguardando. Ele ainda com enjoos e ânsias, apesar de não ter mais nada para botar fora.

Não se passaram 30 minutos e fomos chamados para a triagem: relato do caso, sinais vitais, temperatura. Feito isto, voltamos para a sala de espera, para aguardar a consulta. Nem bem tínhamos nos acomodado e já soavam os auto-falantes: Bruno Krause Belbute para consulta, na sala 3.

Ali fomos muito bem atendidos pela Dra. Rosane Rosa, que o examinou demoradamente, fez um questionário buscando entender e poder realizar o diagnóstico. Deduziu ser uma gastroenterite, recomendou plasil e dipirona para a dor de barriga. Como não tinha febre, ficaria em observação por 1h e tomaria o famoso "soro-caseiro". Se não vomitasse neste período, seriamos liberados.

E assim ocorreu. A Dra. Rosane voltou a examiná-lo e entrevistá-lo. De fato ele já apresentava um aspecto bem melhor, mais corado e brincalhão. Estava bem. Recomendou alimentação leve, tomar o soro-caseiro e se tivesse dor ou febre, dipirona. Caso os sintomas voltassem, indicou que o levasse direto no Hospital da Criança Conceição, pois lá tem mais recursos de exames que na UPA.

Saímos aliviados e ele se sentindo muito bem.
De nossa chegada na UPA até nossa saída, todo processo, incluindo a 1 hora na sala de observação (de primeiro mundo, diga-se de passagem), tudo não chegou a 2 horas.

Mas nossa alegria, minha e do Bruno, durou apenas 20 minutos: no trajeto para casa, ele voltou a reclamar de enjoo e dor na barriga. Chegamos em casa, tomou água, deitou e adormeceu de novo. Cochilou por uma meia hora, acordou com fome, pediu umas bolachinhas, estava se sentindo melhor, não tinha dor na barriga. E não tinha febre. Não deu 5 minutos e saiu correndo para o banheiro. As bolachas mal tinham caído no estômago.

Então não tinha mais jeito: tinha que levá-lo ao hospital, seguindo as recomendações da Dra. Rosane. Confesso que com os 2 pés atrás, pois só de ouvir falar do Conceição, me corria arrepios na espinha.

Lá fomos nós.
Ele com dor na barriga e eu com o coração na mão.