Twitteiros entrevistam Senador Álvaro Dias

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Dia 7 de março foi um dia histórico, pois pela primeira vez um grupo de twitteiros se reuniu para entrevistar um senador da República, de forma espontânea e sem manipulações. Pessoas de diferentes cantos do Brasil e brasileiros vivendo no exterior, unidos pelo interesse num país melhor. A repercussão foi tão grande que a tag #AlvaroDiasresponde chegou aos Trends Brasil, fato extraordinário em pleno feriado de Carnaval. Demonstração da grande insatisfação  da sociedade, de parcela da sociedade, não capturada ou propositadamente não veiculada pela mídia tradicional.
Quem sabe os ventos democráticos do oriente finalmente chegaram a América Latina? Quem sabe esta insatisfação se traduza em ações práticas, mobilizando a sociedade para as verdadeiras e grandes reformas que aguardamos?
Este é apenas o inicio de uma longa jornada.

A entrevista a seguir foi mediada pela arquiteta Mara Kramer, diretamente da Espanha. As perguntas foram enviadas por email, compiladas para evitar duplicidades e transmitidas ao senador.

Entrevista com senador Álvaro Dias – PSDB 7 de março de 2011
@Markramer 1. Qual a posição do partido em relação à Reforma Política? Ou tal reforma será apenas na legislação eleitoral?

@alvarodias O partido constitui comissão para definir posição em relação aos principais itens da reforma.Os projetos tramitam no Senado.

@Markramer  2. Nesta reforma politica, temos visto uma parte da sociedade defendendo Voto distrital, o fim da obrigatoriedade do voto e repudio ao financiamento publico de campanha. As propostas do PSDB, apresentadas pelo Sen. Aecio Neves estão longe disto, assim como as do PMDB e PT. Em que se fundamenta o q foi apresentado e como o PSDB pretende ouvir a sociedade ? Será que a sociedade mais uma vez não terá voz e a decisão será feita por uma cupula politica que defende interesses proprios e partidarios?
@Markramer  3. Reforma política: como maioria governista, não corremos o risco de piorar ainda mais?

@alvarodias  Se fará a sistematização desses projetos para apresentação de um ante projeto à comissão da reforma. Sou favoravel a participação de setores organizados na reforma política. O corporativismo é inevitável sem essa abertura.

@MarKramer Observou-se nas ultimas eleições problemas de logística. PSDB falou em refundação. Quais as alterações que o partido pretende implementar para agilizar-se internamente?
@Markramer  4. Porque o partido não atua em comunidades e periferias, junto aos fóruns, conselhos e associações? PSDB não acredita no trabalho de base?

@alvarodias Não posso responder sobre isso. Não sou da executiva. Estou organizando o trabalho da liderança no Senado. Breve teremos resultados

@MarKramer  5.Porque o PSDB não realiza mobilizações de rua como estratégia de oposição?

@alvarodias Não há clima para mobilização de rua neste momento.

@Markramer Vemos muitos grupos buscando mobilizar-se para ir às ruas, é a forma mais forte de oposição popular, depois do voto. PSDB poderia incentivar.

@MarKramer 6. O Sr. acredita que a fraca oposição durante governo Lula facilitou a eleição de Dilma? Como analisa perda da eleição por Serra considerando o despreparo de Dilma?

@alvarodias O aparelhamento da máquina a prevalência da impunidade,a banalização da corrupção e a eficiência da comunicação ficcional. A oposição foi dizimada no país, do Município a Federação.

@Markramer  7. A que o Sr atribui a falta de disposição do brasileiro para a oposição? O que é para o senhor fazer oposição?

@alvarodias Poucos ousam fazer oposiçao. É mais confortável ficar à sombra do poder.

@Markramer Interessante esta idéia de ficar na “sombra do poder”, deveríamos falar mais sobre isto, pois democracia exige oposição. Valorizar oposição é valorizar democracia. Queremos ver oposição nas ruas, na TV, nos jornais. Queremos oposição onipresente!

@Markramer 8.Gostaria de saber o que pretende PSDB: fazer oposição conjunta ou ficar disperso como tem feito até agora?

@alvarodias Sinto que é preciso valorizar mais os que fazem oposição para estimular a ampliação de suas forças. Representação equilibrada numericamente no Congresso faria bem à democracia e ao país.

@Markramer Ai esta um problema, será que a grande maioria ouve o PSDB? Como fazer para que isto ocorra?

@MarKramer 9. No Congresso a oposição é minoria, mas nas ruas são 44 milhões de pessoas. Não é hora de ativar esta força? Se pensa em fazê-lo, como seria?

@alvarodias O maior desserviço dos últimos anos foi a banalização da corrupção. Essa é nossa dificuldade maior, convencer a maioria que existe honestidade. Essa força é silenciosa. Não há como, sem um fato concreto, mobilizá-la.

@MarKramer Senador penso que esta mobilização aqui hoje demonstra que não é bem assim. Os descontentes estão ativos e querendo movimento da oposição.

@Markramer 10. Gostaria de saber se oposição tem projeto de país? E se tiver projeto para o país qual é ele? E o que o diferencia do projeto governo?

@alvarodias O PSDB tem trabalhado no Congresso para unir a pequena oposição. Um exemplo disso foi o encaminhamento ao Supremo da ADI (decreto). A anestesia faz dormir a multidão que não concorda. Difícil cooptá-la a menos que surja algum fato de grande repercussão. Sim, precisamos escolher bem o momento para a mobilização. Qualquer erro promoverá desesperança maior.

@Markramer 11.Vivemos um momento extremamente difícil de ditadura endossada pelo voto. Como mudar isso?

@alvarodias_ Só há esperança de mudança pelo voto. Temos 4 anos para trabalhar sem fazer milagres, mas tentando mudar.

@MarKramer Muitíssimo obrigado pela sua disponibilidade. Gostaríamos que dissesse as palavras finais.

@alvarodias_ Obrigado pela oportunidade, O caminho da conquista da credibilidade é o da comunicação interativa. É preciso ter esperança.

@MarKramer Esperamos que o PSDB faça as alterações internas necessárias, impeça as disputas internas, e assuma uma oposição firme. É o que queremos e para o que nos uniremos ao partido.

@MarKramer Nós é que agradecemos esta oportunidade e agradecemos ainda mais sua dignidade como nosso representante. Boa noite senador.

Veja também: 2a. parte dos Twitteiros com Senador Álvaro Dias