Alguém viu a oposição por ai?

olhoquetudove

Eu não vi, e você?

Na verdade não há oposição. Quando muito uns poucos políticos que usam da Tribuna das casas do Congresso para desfilarem seus rosários, como se o povo do lado de fora os ouvisse. Claro, claro, fica nos anais da história e se algum dia alguém cobrar, estará lá: eu falei, eu cobrei. Convenhamos!

O problema é o jeito, o cacoete para ser oposição. E os partidos não sabem nem por onde começar. Há total desunião e falta de sintonia em temas chaves.

Alguém lembra quando o PMDB foi oposição? Ah, sim, faz tempos. Foi ainda durante a ditadura, antes de Sarney e sua claque tomarem o partido e o transformarem neste triste quadro que assistimos hoje. Desde a redemocratização, o partido sempre esteve em todos os governos.

E sua costela? É, o PSDB? Surgiu exatamente para se contrapor ao que se transformara o PMDB, mas hoje vota em Sarney e Marco Maia. Ah, sim, tem que ocupar comissões nas casas legislativas. Assim como o DEM, passa por séria crise de identidade, olha-se no espelho e se indaga: “Quem sou eu?”. Nas últimas 3 campanhas nacionais não soube tirar proveito de suas realizações desde o fim da era Collor: foram 10 anos em que o país sedimentou as bases para o desenvolvimento, agora em risco pelo populismo Lullopetista.

O DEM, como disse, está no divã, buscando sua identidade perdida. Também ficou órfão, sem governo. Assim como o PMDB, passou anos à sombra do poder. Mudou de nome (era PFL), perdeu caciques (Antonio Carlos Magalhães) e ficou sem rumo.

Já o PP, de onde surgiu o DEM (ex-PFL), aprendeu rápido a lição e com desenvoltura realiza alianças pragmáticas, aliando-se inclusive ao PT. São cartilhas opostas, mas quem liga? Golbery deve estar rindo, faceiro, com tudo isto. Talvez jamais tivesse imaginado que este dia chegaria: a ARENA, que sustentou o regime militar, coligado àqueles que perseguiu.

A aposta é simples: o povo não tem memória e a mídia ajuda a não lembrar. Mas no início dos tempos era assim: ARENA e MDB. Da ARENA surgiu o PDS que agora é o PP. Do PDS saiu o PFL que agora é o DEM e outros menos cotados, nanicos, de aluguel. Do “frentão” MDB surgem o PMDB, PSDB, PTB, PDT, PcdoB, PCB (agora PPS), o próprio PT e vários outros ao sabor dos ventos e dos interesses individuais.

Então, como se vê, todos são colegas de longa data. E todos, sem exceções, foram ou são governo.

Desta sopa de letrinhas, ficamos órfãos de oposição. Simplesmente “no ecxiste”. Os mais de 44 milhões de eleitores que nunca embarcaram na onda da popularidade do “Gran chefe” e se opuseram ao continuísmo, vagam meio sem rumo pelas Redes Sociais, com manifestos aqui e outro lá, sem consistência, sem ritmo, sem sintonia. Espelho fiel do quadro partidário.

Alguns à procura de um líder, outros buscando agregar pessoas também desiludidas. É ruim para a democracia a inexistência de oposição. Não precisa ser raivosa, rancorosa e mentirosa como foi a do PT. Mas necessariamente deve ser firme e forte.

Determinadas lideranças dizem que o quadro ficou reduzido no Congresso, com maioria governista. Esquecem que oposição não se faz apenas lá: há prefeitos, governadores e muitas outras forças políticas, desde as associações comunitárias até os sindicatos, também descontentes com os rumos e projetos para o país. Falta-lhes a capacidade de ouvir, sintonizar e agregar estes quadros em torno de agendas de consenso.

Ou vamos continuar naquela de “não vejo, não ouço, não falo”?