Admirável Mundo Novo

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Nem Aldous Huxley poderia imaginar tamanhas transformações que nosso mundo, especialmente as nações árabes, está passando.

Sair do casulo, daquela “zona de conforto”, em que tudo parecia perfeito, em parte glamourizado pela mídia ocidental não tem mais volta. Sentir o ar fresco do lado de fora não tem preço.

Claro, há os reducionistas de plantão, os obtusos, mentes fechadas, para quem tais manifestações são “lideradas” ou “comandadas” por grupos. Dependendo do apetite político, dirão que são grupos organizados de facções do terror ou estratégias ocidentais para desestabilização de governos ditatoriais.

Ora, todos os analistas, TODOS, erraram feio. Exatamente por que jamais levaram em consideração uma questão simples: o povo.

Sim, um novo mundo é possível e talvez a esquerda festiva mundial, aquela dos intelectualóides que adoram a pobreza dos outros, não esteja comemorando a espontaneidade dos movimentos populares no norte da África, por não constarem de seus ideários de seus Fóruns Sociais Mundiais.

O presidente Obama deu um “xixi” público nos serviços de informação, por não terem previsto tais acontecimentos, pegando-o de calças, sem saber ao certo o que fazer: se defendia a manifestação popular ou continuava empenhando apoio aos seus ditadores preferidos.

E, assim como os analistas, também os serviços de informação, TODOS os serviços de espionagem falharam, exatamente porque tais manifestações não foram organizadas pelos grupos conhecidos e monitorados desde sempre.

Os ventos democráticos do oriente deixaram perplexos os esquerdopatas latinos. Se de um lado ensaiavam um “viva” pela queda de Mubarak no Egito, patrocinado e apoiado pelos yankees, por outro lado engolem em seco diante da eminente queda de seu grande ícone Gaddafi.

Gaddafi conseguiu personificar o estado, sonho de consumos dos Chavistas e signatários do Fórum de São Paulo. Gaddafi é mais que o presidente supremo da Líbia, ele se intitula “o grande irmão e líder”. A Líbia é Gaddafi. Ou era.

Egocentrismos a parte, o fato é que há o florescimento da democracia no oriente. Os regimes faliram, como de resto em todo mundo. Mas não será já, há um longo caminho a percorrer e muitos obstáculos pela frente. Não faltarão analistas a dizer que as futuras eleições livres serão o estabelecimento de regimes democráticos. Assim como outros dirão que “não serão democracias por não serem iguais aos modelos ocidentais”.

Afinal, que modelo seguir? Simples, o que resultar da vontade de seus povos.

Há um sinal claro vindo do oriente, ainda não observador e suficientemente avaliado pelo ocidente: os modelos perderam validade, os sistemas faliram, a democracia representativa ocidental deve se reinventar urgentemente, não atende mais aos anseios de seus povos. Alguns sinais já vêm sendo dados, como os elevados índices de abstenção nas eleições, em TODOS os países.

De fato, as insurgências dos povos árabes não seguem os preceitos da Al Qaeda, não seguem o fundamentalismo religioso. Talvez ainda nem saibam ao certo o ponto de chegada, mas tem bem claro o ponto de saída: querem melhorar suas condições de vida, querem participar efetivamente na formulação de seus destinos.

Sim, em todos os sistemas, por mais perfeitos que tenham sido concebidos pela pequena elite pensante, há sempre o risco de algo falhar. Não passa pela mente destes que é impossível controlar tudo, todos a todo o momento.

Um admirável mundo novo se descortina no horizonte da humanidade: um mundo sem controle.