Redes Sociais e as Teorias da Conspiração

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Circula na rede email alertando para o “perigo” das Redes Sociais. Não é novidade e nem é de hoje.

Tais textos já circulavam nos tempos do velho e bom ICQ (I seek You). Ressurgiu com o sucesso do MSN; reapareceu com o “boom” do Orkut e agora a bola da vez é o Facebook.

E com o texto de “alerta”, também vem as “teorias da conspiração”. Há diversos modelos, para todos os gostos e todos os públicos: desde aqueles afirmando serem “coisas do Demo” até os mais criativos, dizendo que Mark Zuckerberg é agente da CIA e criou o Facebook para espionar o mundo. Num passado não muito distante Bill Gates era chamado de “anti-Cristo”.

Mas afinal, há perigos nas redes sociais? Claro que sim. Como há riscos num passeio no shopping, numa praça, numa saída à noite ou mesmo a luz do dia. Depende muito mais de nossa postura, da postura dos participantes.

Sempre alerto para que sejamos cuidadosos, evitando expor demasiado nossas informações e intimidades. Em certa ocasião uma amiga convidou-me para o Orkut e ao entrar na sua página de perfil fiquei chocado, havia colocado todas as suas informações: endereço completo, telefones fixo e celular, entre outras coisas. Alertei-a e imediatamente as retirou, deixando apenas o e-mail.

Vivemos numa era em que a privacidade é artigo de luxo, com tendência cada vez maior de desaparecer por completo. Não somos monitorados apenas nas redes sociais. Em quaisquer lugares que estejamos estamos sendo observados: pelas câmaras nas ruas, nas estradas, nas praças de pedágio; a cada vez que utilizamos nosso cartão de crédito; nas lojas e shoppings; por nossos aparelhos celulares que indicam nossa localização, mesmo sem GPS. Somos sim vulneráveis.

Mas daí a imaginarmos que há grupos interessados em nossas atividades, é pura paranóia.

Sim, já ocorreram casos de seqüestro por informações coletadas nas redes. Sim, já ocorreram casos de estupro, a partir de relacionamentos iniciados nas redes. Sim, há grupos que traficam drogas utilizando as redes. Sim, há pedófilos à espreita. Sim, tudo isto também existe nas redes sociais, pois são espelho, mera reprodução de nosso mundo real.

CIA e FBI, como as demais agências de informação em diversos países, utilizam de sistemas de monitoramento não apenas das redes, mas também de nossos e-mails. Estes sistemas realizam varreduras com base em palavras chave especificas e emitem alertas quando as identificam, tais como “bomba”, “detonação”, “atentado”, por exemplo.

A nossa Polícia Federal possui o “Guardião”: sistema capaz de interceptar não apenas ligações telefônicas, como emails também. Mas, teoricamente, apenas o utilizam com autorização judicial. Diferente do caso americano, que desde o 11 de setembro, pode agir independente de liberação pelo judiciário.

Daí a ineficácia e burrice de nossos legislativos ao proporem leis que obriguem guarda de registros de usuários (eita terminho ruim), bem como obrigação de registros para clientes de Lan Houses, cidadão comuns. Como no caso das armas, alguém acredita que o criminoso irá registrar seu arsenal?

Nossa identificação já é feita automaticamente cada vez que acessamos a rede. Toda vez que nos logamos, o IP (Internet Protocol) de nossa máquina é registrado. É o nosso endereço virtual. Através dele é possível saber onde estamos, quando acessamos, quanto tempo ficamos logados. E cada máquina tem o seu.

Já os cyber criminosos utilizam outras ferramentas para tentarem encobrir seus rastros, na tentativa de evitarem ser apanhados. Dá um pouco mais de trabalho, mas serão localizados com certeza. E assim tem ocorrido: redes de pedófilos têm sido presas, traficantes e até gangues de pixadores, que utilizam as redes para marcarem encontros, estabelecerem alvos e postarem vídeos de suas “heróicas missões” em depredar o patrimônio público e privado.

E mais uma vez eu alerto que o cyber espaço não é para crianças. Estas devem ser monitoradas e acompanhadas por seus pais ou responsáveis.

Quanto as “teorias da conspiração”, sempre estarão presente e serão difundidas principalmente pelos ressentidos e mal intencionados.

Portanto, sorria: você está sendo observado.

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