Compras coletivas: não compre gato por lebre

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Inegável o sucesso dos sites de compras coletivas. Mas na lógica do mercado, todos querem “tirar uma casquinha” do mais recente modismo internético.

O “lance” é faturar. E muitos picaretas já surgem neste embalo, que está gerando desconfianças e contrariedades. Nada mais natural. Ai a “lógica” do faturar a qualquer preço, tem um preço elevado para os descuidados e desavisados.

O sucesso das ofertas está baseada exclusivamente nos descontos. Uma reedição virtual dos “cupons de descontos” que já fazem sucesso há mais de 100 anos no EUA, por exemplo. Algo que nunca emplacou de vez no Brasil, seja pela falta de cultura do empresariado, seja pela baixa vendagem de jornais, em relação a população.

A diferença básica entre os cupons originais (impressos) e os virtuais está na escala: enquanto os primeiros são individuais, os outros dependem da adesão de determinado número de pessoas para se concretizar. E ai começam os problemas.

Alguns sites são mais prudentes e avaliam a capacidade do fornecedor em cumprir as ofertas: logística, atendimento, infra-estrutura, agilidade e capacidade financeira. Já outros, que estão surgindo às pencas, sequer se preocupam: afinal o que interessa é faturar. E o prejudicado, mais uma vez, é o consumidor.

Nas vendas de determinados serviços a lógica do desconto pode perfeitamente ser executada, pois possibilita ao fornecedor negociar com seus outros fornecedores e pelas quantidades, pelo volume, por determinado período, ampliar sua clientela. Entretanto, nem todos os serviços têm possibilidades de participar das ofertas coletivas, pois o volume não representa compensação na redução da lucratividade.

Um restaurante pode por determinado tempo e para determinados itens de seu cardápio oferecer descontos generosos, pela confirmação de um número “x” de clientes. Isto não é novidade: diversas casas já oferecem descontos para realização de festas e eventos. Assim como as vendas no comércio, como as liquidações coletivas em shopping centers ou mesmo de magazines para renovação de estoques. Tudo precedido de negociação com fornecedores, com prazos de entrega e pagamentos previamente agendados.

Recentemente o CRO – Conselho Regional de Odontologia do RS manifestou-se contra as ofertas de clareamento dental divulgadas por um site de compras coletivas. Focou os estatutos da entidade, que é rigoroso quanto as regras de propaganda, assim como esclareceu a população através de notas em jornais e em seu site, sobre os riscos da prática, que não são aplicáveis a toda população, merecendo avaliação individual de cada paciente. Alertou também não haver possibilidades de garantir 100% de sucesso, mesmo nos casos elegíveis. Portanto, o anúncio se enquadra em “propaganda enganosa”.

Ora, mesmo que fosse possível aplicar o clareamento dental a toda a população com 100% de êxito, o atendimento do profissional é um a um. Poderia a clínica ou consultório negociar a aquisição dos produtos utilizados, obtendo descontos, mas ainda assim seu tempo e dedicação não seriam reduzidos pelo número de pacientes que atendesse. Ai a lógica da “compra coletiva” não se aplica.

O mesmo vale para advogados, médicos, cirurgiões e tantos outros profissionais cujos atendimentos e prestação de serviços não possam ser massificados e padronizados. Vale para a pizzaria, para a choperia, churrascaria.

Mas é fundamental que o consumidor, antes de aderir e se cadastrar nestes sites e em determinadas ofertas, use do velho e bom ditado: “quando a esmola é demais, até o santo desconfia”.

Siga seu bom senso e algumas dicas:

- Verifique o fornecedor anunciado. Faça contato direto e cerifique-se que a oferta é real;

- Veja o endereço e a localização do estabelecimento, avalie sua capacidade de atendimento;

- Antes de se cadastrar, assegure-se que o site é verdadeiro: navegue, veja se há indicação de quantas pessoas estão cadastradas, se há telefone para contato, nome da empresa, endereço, CNPJ;

- Se tiver dúvidas, entre em contato por telefone ou e-mail. Se a resposta por e-mail for demorada ou padrão, desconfie;

- Fale com seus amigos e colegas, busque informações, acompanhe pelas redes sociais o que dizem sobre o site (mas cuidado com os perfis “fake”- falsos);

- Verifique as Politicas de Desistência, os Termos de Uso e Participação nas compras;

- Observe se a página de pagamento da oferta está em ambiente seguro (normalmente tem um cadeado na barra de navegação);

- Utilize cartão de crédito em suas operações, pois poderá cancelar o pagamento em caso de descumprimento;

- Utilize os serviços do PROCON de sua cidade: ligue e informe-se ou navegue pelo site dos serviços de proteção ao consumidor.

E acima de tudo, “não compre gato por lebre”.