WikiLeaks: a Matrix revelada

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Agora é tarde. O estrago está feito e não tem mais volta.

Uma nova realidade invade nossos horizontes, despertando nossas consciências há muito adormecidas. Fomos sacudidos e obrigados a sair de nossa “zona de conforto”.

Desconectamos? Não, todos ainda não.

Morpheus (Julian Assange) nos dá a opção: “Você pode tomar a pílula vermelha ou a pílula azul”. Nós podemos continuar no comodismo confortável e escolher a “pílula azul”. Ou podemos nos ativar, ativar nossa consciência e reagir aos padrões de dominação/manipulação, ingerindo a “pílula vermelha”.

Quando você desagrada um lado, ou algumas pessoas, sua atitude pode ser tendenciosa, dirigida para promover o outro lado ou outro grupo de pessoas. Este é o padrão. Esta é a manipulação. Que gera, via de regra, dominação.

Porém, quando você consegue desagradar e mesmo irritar todos os lados, bem, ai você colocou o dedo na ferida. E ninguém gosta de sentir dor. Daí as reações.

É o que Julian Assange, via WikiLeaks, está fazendo. Conseguiu a um só tempo atrair a ira dos americanos e iranianos; coreanos e chineses; russos e afegãos. Não agradou nem “gregos, nem troianos”.

O padrão é tão consistente, que um dos porta-vozes do sistema (Rede Globo), colocou na boca de William Bonner a expressão “site de fofocas”. Claro, reação, na tentativa de desqualificar. Primeiro recurso dos incapazes, quando lhes faltam argumentos. Mas já era tarde.

Apesar dos milhões de passivos espectadores do telepadrão, há outros milhões de conectados nas redes. E ai o “bicho pega”. Se num lado, pela escassez de informações e mesmo pela letargia mental a espera do “entretenimento familiar das 21h”, do outro o efeito “viral” se fez sentir.

O fato é que os governos, neste primeiro momento, não gostaram nadinha de experimentar o efeito “Big Brother”. Adoram vasculhar e controlar a vida dos outros, mas detestaram a sensação de estarem “nus” diante do mundo.

Agora Morpheus, digo Julian Assange, é o inimigo público número um dos EUA. Tirou o posto de Osama Bin Laden, já esquecido nas montanhas afegãs. E de quebra conseguiu um titulo ainda mais pomposo: inimigo público número um de diversos governos. Que em seguida dirão que é o inimigo público número um da humanidade. É o hábito de falarem em nosso nome, sem nos perguntar.

O sistema esta ameaçado, convocou os agentes Smiths. Já invocaram a Interpol e até elegeram a neutralidade sueca para dar credibilidade à denúncia de “estupro”. Tudo para neutralizar Morpheus, antes que tenha tempo de descobrir “Neo” e fazê-lo tomar a “pílula vermelha”.

O problema do sistema é que os “Neos” já estão ativos e se reproduzindo rapidamente.

O “nervo da democracia” está exposto. Democracia?

A fragilidade é evidente e todos os supostos super poderes caem por terra. Nem Pentágono, nem CIA, nem Scotland Yard, nem Mossad: ninguém consegue achar o centro de comando da WikiLeaks. E ai temos que rir, não tem jeito: não conseguem porque não tem centro de controle. Não entenderam ainda. E mesmo que consigam caçar, prender ou assassinar Julian Assange, não eliminarão os efeitos, muito menos terão êxito em cessar os vazamentos.

A rede não pode ser morta. Ela se reconfigura, se adapta. Ai a beleza da Rede.

O padrão é inimigo do padrão. O sistema está em cheque e luta contra si próprio. Começaram as acusações mútuas, cada um tentando se livrar do padrão. A conspiração conspira contra a conspiração.

É genial!

Independente da exposição de segredos de estado sobressai a exposição das mentiras, das manipulações para manutenção da dominação e do poder.

Avançamos. Matrix já está contaminada, o vírus já foi inoculado.

Não pode haver democracia baseada em mentiras. Não há liberdade de expressão, quando a expressão é a versão montada, não o fato.

Faça sua escolha: tome a pílula vermelha ou tome a pílula azul. Acorde, antes que de ser despertado violentamente de seu sonho dourado.

Já estou a bordo de Nabucodonozor, rumo a Zion. Você vem?