Não se iluda: o sistema é um só

mundoemrede Wikileaks desnuda o que muitos já sabiam e vinham alertando há muito: o sistema é um só.

O “mainframe” global roda um sistema padrão (vertical), disponível em diversas versões (capitalismo 2.0, socialismo 1.1, ditaduras 3.1, entre outras), “plugins” a escolher (dogmas religiosos com muitas funcionalidades), e variados “widgets” e “gadgets” (partidos políticos, seitas, instituições de educação, mídia, etc).

Mas o sistema é o mesmo, com o mesmo objetivo: manter você conectado a ele, alimentando-o, até que você seja descartável. Não? Pense bem.

As reações ao Wikileaks fazem cair as máscaras dos até então “queridinhos” e “idolatrados” defensores da livre iniciativa, da liberdade de mercado, da liberdade de expressão. Cadê a democracia?

Amazon.com retira site do ar; PayPal não aceita mais doações; Times retira o nome de Julian Assange da lista de “Personalidades do Ano” (como se isto fosse importante para ele); governos se mobilizam e colocam em ação suas forças de seguranças.

Qual o crime? Revelar a verdade.

O “império contra ataca”. Mas a derrota já está prevista. Como disse no artigo anterior, o sistema é inimigo do sistema. É um “bug” original, para o qual não foi até hoje encontrada correção. Por mais que atualizem, por mais que aperfeiçoem as versões, o “bug” (como praga profética) continua lá.

Assistimos em tempo real algo de raro valor: a comprovação de uma teoria. Até hoje sempre se teorizou a respeito das “redes distribuídas”, estimando efeitos e conseqüência, adaptando acontecimentos à teoria para tentar explicá-la. Agora temos a confirmação: Redes distribuídas, horizontais, não podem ser destruídas. Podem sofrer mutações, assumir novas conformações, novas configurações, estabelecer novas conexões, mas não podem ser eliminadas pelos sistemas verticais.

Claro que a grande massa ainda está alheia aos fatos. Conectados ao “mainframe”, continuam iludidos pelas visões escolhidas a dedo que lhes são mostradas.

Mais uma evidência, uma prova da manipulação a que somos submetidos há milênios.

A relevância de Wikileaks não está em suas revelações ou vazamentos, mas nas reações que despertou com suas ações.

E mais uma vez o “sistema” mostra sua fragilidade e ignorância ao imaginar que a prisão de Julian Assange, sua execração pública, eliminará o problema. Ledo engano. Ai percebemos o efeito Rede: Julian é apenas um “nó” ou “nodo” do grande emaranhado. A eliminação de um nó não elimina a rede.

Como diz Augusto de Franco: “A Rede não serve para fazer a mudança. A Rede já é a mudança”.

Não resista: você também será absorvido.