A era da mediocridade

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É impressionante o tempo que vivemos. O Brasil se transformou no grande “balde de caranguejos” – quando um está tentando sair, os outros o puxam para baixo novamente.

Não bastasse o ufanismo de nosso presidente, gabando-se de ter chegado aonde chegou sem estudo, agora o exame da OAB é constestado e considerado inconstitucional.

Nem Universidades nem escolas garantem a qualificação profissional, isto é lógico. Ainda mais pela qualidade de nosso ensino. E o exame da Ordem é sim um balizador da precariedade das faculdades de direitos, que se alastram pelo país. Hoje qualquer “Zé da esquina” abre um “boteco” qualquer e pode ali montar sua “instituição de ensino”.

Enquanto isto o Conselho Nacional de Educação se preocupa em banir Monteiro Lobato das escolas.

Basta ver os números: para uma população de 190 milhões, temos mais de 1.400 faculdades de direito, enquanto nos EUA, para uma população duas vezes e meia maior, há menos de 600.

Também o exame da Ordem não é (ou era) garantia de probidade dos advogados, mas era de fato uma espécie de triagem. Os demais Conselhos profissionais tentam há anos implantar exames similares. Como o de medicina, que inclusive briga pela adequação curricular aos médicos formados em outros países, principalmente os cubanos.

Mas aqui abrimos as porteiras: qualquer um pode ser qualquer coisa, desde que tenha um diploma ou vários. Triste, muito triste.

Educação no Brasil virou mercadoria. Está mercantilizada. Em qualquer área já não basta graduação: precisa de pós, doutorado, MBA e mais um monte de traquitanas. Ao mesmo tempo temos juízes atuando nos tribunais, aos 20 e poucos anos, sem nunca terem passado pela “banca”, sem qualquer experiência ou visão de vida, adquiridas pela prática jurídica nos corredores dos Fóruns.

Quando cursava a faculdade de direito na UNISINOS, a instituição implantou como regra a cadeira de língua portuguesa como pré-requisito. Era obrigatória. A opção do aluno era realizar prova de proficiência, devendo passar com alta média. Foi uma idéia louvável, para evitar ou pelo menos minimizar os erros grosseiros, como escrever “onorários” e não “honorários”, por exemplo.

A base está comprometida: 70% dos formandos no ensino médio são considerados analfabetos funcionais. Agora, reprovação é considerada “desmotivadora” e responsável pela evasão escolar. Então a solução é não reprovar mais. Daqui a pouco proporão incorporar à CLT, proibição de demissão de trabalhadores com baixíssimo desempenho profissional.

A maior riqueza de uma nação é a evolução de seu povo, através do ensino, incentivo e investimento em pesquisa. Menos aqui. Onde a maior riqueza parece ser a multiplicação da ignorância.

Realmente vivemos a “era da mediocridade”, tudo é nivelado por baixo.