A Burrice do Conselho Nacional de Educação


Como dizia Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”.
Antes de começar tenho que referir o erro conceitual de nosso “sistema de ensino”. Vejam, temos o Ministério da EDUCAÇÃO, quando deveria ser pelo menos Ministério do ENSINO. Professor não EDUCA, quando muito transmite conhecimentos. Daí se deriva tantos e tantos outros equívocos, engessando e atrasando o aprendizado de nossas crianças e jovens.
Mas o Conselho Nacional de Educação passou atestado de burrice, ao aprovar por unanimidade a retirada da obra de Monteiro Lobato “Caçadas de Pedrinho” das escolas, por considerarem-na racista.
Valha-me Deus! Que sandice, paranóia!
Prova de total desconhecimento das obras de um dos maiores escritores brasileiros; prova de absoluta ignorância sobre quem foi Monteiro Lobato.
Para ficar com apenas duas de suas fantásticas obras, cito “Jeca Tatu”, elogiada por ninguém menos que Rui Barbosa e “O Presidente Negro”, seu único romance escrito em 1926, onde prevê a eleição do primeiro presidente negro norte-americano no ano de 2228.
Monteiro Lobato foi um nacionalista ferrenho, cujas criticas ao “americanícismo” e “europeização” da cultura brasileira, desencadearam a Semana de Arte Moderna de 1922.
Visionário, previu que o desenvolvimento do país se daria pelo tripé: aço, petróleo e estradas. Foi defensor da exploração de petróleo por empresas brasileiras e denunciou os governos pelo descaso e entrega às multinacionais. Por suas críticas, foi preso pelo Estado Novo de Getúlio Vargas: ficou encarcerado 3 meses, de uma condenação de 6 meses.
Em 1948 escreveu diversos folhetos sobre “De Quem é o Petróleo da Bahia”. Seu último livro é “Zé Brasil”, retomando o personagem “Jeca Tatu”, agora retratado como um “sem-terra” esmagado pelo “latifúndio”.
Perseguido pela ditadura de Vargas, teve suas empresas liquidadas e obras censuradas. Monteiro Lobato integrou a delegação paulista no I Congresso Brasileiro de Escritores, onde no encerramento é lido manifesto pela liberdade de expressão e redemocratização do país. Isto não lembra fatos recentes?
Tachar Monteiro Lobato de preconceituoso ou racista é passar recibo de total ignorância, tanto por a sua obra, quanto sua vida, sua história, suas lutas.
Ver “racismo” em “Caçadas de Pedrinho” é no mínimo não saber ler nas entrelinhas, não ter a capacidade de interpretar o texto. Bem, no nível atual de nossa “educação”, com mais de 70% dos formandos no ensino médio serem considerados “analfabetos funcionais”, nada surpreende.
Penso que tal Conselho tenha mais o que fazer ou tenha outras atribuições, que não a de um órgão superior de censura, vendo fantasmas onde não existem.
Como por exemplo, rever as liberações de novos cursos e faculdades, que se tornaram apenas caça níqueis, sem as mínimas condições de oferecer qualidade ao aprendizado.
Como dizemos no twitter #prontofalei.