Por que você odeia o PT?


Foi a pergunta que me fizeram pelo Twitter, em função de minhas postagens e minhas posições sobre as farsas e mentiras que presenciamos há 8 anos.
Primeiro não “odeio” o PT. Não odeio nada nem ninguém pela simples razão que não trago ódio em meu coração. Ao contrário, sou movido por paixão. Como dizia Paulo Freire “sem tesão não há solução”. Sou apaixonado por tudo que faço e só faço o que acredito.
Segundo sou um democrata convicto, sou um social-democrata com forte influência webberiana. Quem não sabe o que é isto, pesquise no Google, para não me estender muito neste artigo. Num outro momento até posso voltar ao tema e explicar melhor.
Sinteticamente: Webber é um dos fundadores da sociologia, cujo conceito chave é a “ação”. “A ação é um comportamento humano no qual os indivíduos se relacionam de maneira subjetiva e a ação social, característica por ser uma ação que possui um sentido visado e é determinado pelo comportamento alheio.” Webber também acreditava na política como vocação (ética da convicção e ética da responsabilidade). Webber era um critico da política profissional.
Como também sou critico do “materialismo histórico”, de Karl Marx, me afino com as idéias de Webber. Em sua obra "A ética protestante e o espírito do capitalismo", deixa bem claros seus pontos de vista. Aconselho a leitura.
Mas o que tem isto a ver com o PT? Tudo!
Exatamente por suas afinidades com Marx, apesar de não entendê-lo. A maioria da militância sequer sabe quem foi ou o que pensava. Tenho amigos PTista que respeito, por seu conhecimento e por sua defesa de tais idéias. Ai o debate fica bom, quando se trava no campo das idéias. E é um dos conceitos fundamentais da democracia: “posso discordar de tudo quanto dizeis, mas defenderei até a morte o direito que tens de dizê-lo.” (Voltaire).
Minha crítica a eles é justamente porque este debate não ganha as ruas, as comunidades. Não me escondo, não escondo os conceitos que defendo.
O PT é signatário do Foro de São Paulo, movimento cujo objetivo é implantar um regime autoritário, aos moldes de Cuba. Aliás, Fidel Castro, Raul Castro, Evo Morales, Rafael Corrêa e Hugo Chaves são signatários também. Lulla e José Dirceu foram presidentes deste movimento que completará 20 anos. A Venezuela de Hugo Chaves saiu na frente e está em pleno processo de implantação do regime.
Ora, esta é uma das razões de me contrapor ao PT: seu ideário. Sou defensor das liberdades e direitos individuais; sou defensor da liberdade de manifestação e de expressão. Como poderei compactuar com quem deseja controlar os meios de comunicação, por exemplo, se lutei contra a censura?
Na minha vivência comunitária, me deparo sempre com PTistas. E ai vem outra contrariedade: não aceitam o contraditório. Somente quando lhes servem é que usam o termo. Não aceitam novas idéias, que não estejam afinadas com as suas. Repetem a exaustão seus mantras, na tentativa de convencimento pelo cansaço. E quando não conseguem, se tornam raivosos, baixam o nível e partem para as agressões verbais, na tentativa de desestabilizar e provocar a briga, o confronto.
Então não sou eu que tenho ódio, são eles.
Sou paciente, escuto as falas e idéias até o fim, aquilo que me parece lógico e de bom senso aceito sem qualquer problema. Não tenho qualquer problema em rever posições, conceitos e mudar de idéia. Desde que fundamentadas em argumentos, que tenham sentido e aplicabilidade.
Até hoje só consegui encontrar dois PTista com este estilo. Aliás, um deles já não é mais PTista.
Também não sou fundamentalista, não vejo política como religião. Vejo política como vocação (olha o Webber ai). E quando falo de política, não me refiro somente a política partidária. Na minha visão, as relações sociais também são relações políticas.
Este é outro contraponto em relação ao PT. Ou você está com eles ou você é inimigo deles. Não consigo ver desta forma.
A vida não é um “gre-nal”, um “fla-flu”. No regime ditatorial, especialmente na era Médice, nunca compactuei com o “ame-o ou deixe-o”.
Também sou Aristotélico e acredito no bom senso, no consenso, no “meio-termo”. “Nem tão covarde que fuja da luta, nem tão corajoso que arrisque sua vida”.
Aqui no Rio Grande do Sul tivemos governos PTistas. E o que se viu? Perseguição aos jornalistas, tensão social, confronto.
Não vou ser cansativo, basta procurar na internet para encontrar os fatos fartamente documentados.
Mas exemplifico alguns pontos que me parecem importantes, dos quais discordo veementemente:
- Desfraldar a bandeira das FARC no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho;
- Apoiar a destruição de laboratórios de pesquisa comandado por um estrangeiro;
- Exigir aos órgãos de imprensa a demissão de jornalistas que falavam mal do governo.
- Destruição do patrimônio público (relógio dos 500 anos), sem qualquer punição.
E quando os confrontamos com os inúmeros casos de corrupção, o contra argumento é sempre o mesmo: “vocês (como se eu fosse governo) fizeram a mesma coisa”.
Ora, nada mais frágil. Um ato não justifica o outro. Porque então, no poder, não investigaram? Porque não puniram os seus agentes de corrupção? Delúbio Soares, José Dirceu, Silvio Pereira, receberam qualquer advertência do partido? Não são hoje dirigentes nacionais com livre trânsito?
Ou tudo não passou de farsa da imprensa imperialista, como costumam dizer?
Por fim, o alinhamento com países que promovem a perseguição política, que promovem e defendem a violência contra as mulheres, que cultivam o ódio por seus vizinhos e que negam fatos históricos fartamente comprovados. Falo do alinhamento e apoio ao Irã, Siria, ao Hamas, a negação do holocausto.
Não, não odeio ninguém. Muito menos o PT. Mas sou e serei sempre radical na defesa do estado democrático de direito, das liberdades e direitos individuais, da liberdade e direito de manifestação e expressão.
Não, não odeio ninguém, mas amo a democracia.