Onde está a criança?

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Quando foi mesmo? Você lembra?
Qual foi a última vez que a viu?
Onde foi o “ponto de corte”?
Foi aos 10, 12 anos? 15, talvez?
Quando terminou a escola?
Quando fez vestibular?
Quando começou a trabalhar?
Quando tirou a carteira de motorista?
Quando deu o primeiro beijo?
Quando tomou o primeiro porre?

Quando foi a última vez que você correu descalço, pulou nas poças d’água, subiu nos muros, nas árvores, se lambuzou com algodão doce, se melecou comendo sorvete?

Ah, claro. São coisas de criança.

E quando foi que você matou aquela criança que ria de si mesma? Quando foi que você adquiriu este ar circunspecto, esse olhar sério, esse jeito adulto de ser?

Não sei você, mas eu mantenho viva aquela criança que fazia carrinhos de lata de azeite, que com 3 pedaços de madeira e rolimãs construía um carrinho de lomba. Que ainda adora tomar banho de chuva, brincar na água, fazer castelos de areia, andar de balanço

Ah, como é bom rir de mim mesmo.

E hoje me vejo refletido nos meus filhos. “O pai é muito palhaço”, dizem. E sou mesmo. Um crianção que se nega crescer. Gargalhamos até doer a barriga.

Minha imagem no espelho não captura o que levo na alma. Minha alma ainda está, talvez, na segunda infância.

Olhe bem dentro de você. Não, não olhe no espelho. Não está ali. Está mais fundo, ainda adormecida. Desperte-a, dê-lhe vida novamente. Saia com seus filhos, não importa a idade deles nem a sua, corra no parque, brinque.

Ridículo? Ridículo é fingir, ridículo é fugir, ridículo é julgar. É ter lá no fundo a vontade presa de fazer tudo isto e se conter.

Liberte-se. Viva, como as crianças sabem viver.

Garanto que você vai gostar. E não vai mais querer crescer.

Feliz dia, para sua criança interior.