Falácia da Empresa Pública


Pense rápido: quantas empresas públicas você conhece? De quantas você recebe algum dividendo? Em qual você faz parte de algum conselho?
Não, não se preocupe se você não soube responder. Realmente não é fácil, principalmente se você não tiver filiação partidária, não for algum cabo eleitoral ativo próximo a cúpula ou coordenação de alguma campanha política.
Não, não precisa correr para seu extrato bancário para conferir. De fato você não encontrará lá qualquer depósito sobre dividendos. A menos que você de fato tenha adquirido ações de alguma destas empresas.
Porque de fato não existem “empresas públicas”. Existem empresas de uso privado dos partidos da base do governo. De qualquer governo.
Então, esta história de privatize ou não privatize é só “tró-ló-ló”. Esse negócio de que empresa pública é de todos é só “tergiversação”. Que empresa pública beneficia os trabalhadores…ah, santo deus, que ridículo.
Beneficia em quê? Que proveito o trabalhador tem com a tal da “empresa pública”, se ele não trabalha lá, se não tem acesso, para se candidatar tem que ter currículo invejável.
Menos quem é do partido do governo ou da base do governo. Para estes não há seleção. Estes têm “QI” (Quem Indica). E pronto. O cara vai trabalhar lá, com alto salário. Se fossem disputar a mesma função na iniciativa privada, não passariam pela primeira seleção.
Ah, nestes casos também não precisa de anos de experiência, pós, mestrado, pós-mestrado, doutorado, pós-doutorado, enfim, essas coisas que os comuns dos mortais têm que ter para poderem disputar uma vaguinha com salariozinho “ó”.
A briga, portanto, não é pela tão propalada “defesa do patrimônio público”, que em benefício ao público de fato não tem nada. A briga real é pela manutenção do patrimônio privado, para poucos afortunados.
No setor de telecomunicações, por exemplo, tínhamos um enorme armário, recheado de cabides, ineficiente, pesado, caríssimo. Quem pagava a conta? Nós. Que benefícios tínhamos? Nenhum. Se você desejava um telefone, tinha que entrar na fila como qualquer mortal, pagar o carnezinho por anos e torcer para receber sua linha ainda em vida.
Hoje, fim do monopólio, eficiência, agilidade, cobertura nacional, redução de preços (apesar de no Brasil os serviços serem caríssimos pela incidência de impostos). Você pede o serviço e no máximo em 24 horas está instalado e funcionando. No caso dos celulares é na hora. Você sai do quiosque falando.
“O Petróleo é nosso!”. Ah é? Então vai num posto BR, que é da Petrobrás e manda encher o tanque e mandar a conta para o Tesouro.
Ah! Mas atingimos a “auto-suficiência” na produção, importamos muito menos para atender as nossas necessidades de consumo. Certo. E daí? No que isto de fato repercutiu no preço do combustível que abastece a frota nacional de veículos? Em nada! Temos o combustível mais caro do mundo.
No que nossa produção de petróleo de fato representa algo na melhoria das condições da população?
Agora vem esta história do Pré-Sal. Que nada mais é que uma estimativa de reservas, que pode ser de X ou de Y. Ninguém ao certo sabe. No que isto vai repercutir em benefício da população? Ninguém sabe ao certo também, por que não passam de estimativas, ou, “chutômetros”.
E o Pré-Sal é nosso? Não, caros, não é. Será de uma “empresa pública” que irá “administrá-lo”. E claro, “empresa pública” de propriedade dos partidos de plantão. Ou seja, PRIVADA.
Não vou me estender por outros exemplos, seria repetitivo.
Mas o fato é que NÃO temos empresas públicas. É tudo um jogo de cena, para manter ou garantir privilégios futuros para poucos.
Ah, já ia esquecendo. As empresas públicas também servem para financiar os partidos e suas campanhas. Ou seja, mais uma vez privado. Não? Você não acredita? Mas é, pois os detentores de cargos nestas empresas, nomeados pelos partidos, tem que contribuir com faixas que vão de 10% a 30% do seu ganho para o caixa partidário.
Portanto, não caia no “conto do vigário”. Empresa pública é uma falácia.