“Bolinha de papel” não dói!


Afinal, o que é que tem de mais em ser atingido por uma bolinha de papel ou uma bobina de fita crepe?
Claro que nada. Afinal, nem machucou, nem cortou.
Uma jornalista ser atingida por uma pedra, sofrer corte, quando realiza a cobertura da visita de um candidato a uma comunidade, exercendo seu trabalho, não tem nada de mais também. É chamado “efeito colateral”. Vítimas secundarias atingidas por engano. O alvo era outro.
Que outros objetos foram arremessados, que não atingiram o “alvo”? Não importa, não atingiram.
Mas também, cá entre nós: o que é que um candidato a presidente de um país vai fazer numa comunidade, comandada por facções contrárias?
Sim, estou sendo irônico. Porque a ironia é o que me resta, depois da tristeza.
Tristeza por ver a ignorância e selvageria ser minimizada por pessoas cultas, ou que se dizem, pelo menos. O sindicato dos jornalistas sequer se pronunciou sobre a colega ferida enquanto trabalhava.
E o PT, Dilma, ao comentarem o episódio, culpam as vítimas: foi a truculência dos seguranças do candidato que enfureceu a comunidade. Acaso a Polícia Federal não deveria estar acompanhado os candidatos e assegurando sua integridade?
Já Lulla, do alto de sua sabedoria de boteco, diz que foi uma “mentira”. De certo foi invenção da mídia. Todas as emissoras, jornais e revistas manipularam os vídeos e fotos, numa conspiração odiosa para vitimizar José Serra.
Não é uma disputa democrática entre adversários de correntes distintas, é uma guerra entre inimigos. Não basta vencer nas urnas, há necessidade de destruir, de preferência matar, eliminar, pulverizar. É a cultura do ódio, do terror, da irracionalidade.
A violência e o ódio são motivados por fraquezas, não por virtudes. São os fracos, baixos, que agridem. Seja com gestos, seja com palavras.
É assim a violência contra as mulheres, é assim a violência doméstica. E a desculpa é sempre a mesma: “tapinha de amor não dói”. E “bolinha de papel” não machuca.
É esta a desculpa dos regimes autoritários, que não aceitam o contraditório.
"Tudo para o Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado." (Benito Mussolini – ditador fascista)