Internet x Politicos

Não tem jeito. Não tem outra maneira de dizer. Generalizando, Internet e políticos são incompatíveis.

Pois é. A Internet é democrática demais, anárquica demais para o gosto da maioria deles.

E a maioria deles são analfabyticos. A maioria apenas “digitalizou” seus discursos. A maioria é incapaz de transmitir uma mensagem, um pensamento em 140 caracteres (Twitter) ou 420 caracteres (Facebook).

Em pleno século XXI, a maioria ainda vive e faz política do século passado.

Ah, todos querem o “efeito Obama”. A mídia tradicional veio logo especular sobre os “efeitos da Internet na campanha 2010”. E esta mídia não fala para os quase 40 milhões de brasileiros conectados. Fala para outra faixa, que ainda se impressiona, que ainda acredita cegamente em tudo que lê, sem senso crítico, que repete como papagaios sem saberem muito bem do que estão falando.

Sim, todos querem o “efeito Obama”, mas não sabem o que de fato aconteceu. Não conhecem a história. Também compraram e repetem o que a mídia tradicional mancheteia.

A própria mídia tradicional americana sequer sabia da existência de Obama até 1 anos antes das prévias democratas. Encomendavam pesquisas em que aparecia apenas o nome de Hillary.

Não meus amigos, a Internet não fará a diferença nas eleições brasileiras. Por algumas questões básicas e simples:

1- Somos apenas 18% da população total do país. Talvez a metade de eleitores (9%);

2- Que utilizam Internet móvel, pelo celular, 24h conectados, twitteiros de carteirinha, facebookeiros, cerca de 8%;

3- Que participam ativamente de redes digitais (não gosto de usar “redes sociais”) cerca de 4% (estou sendo otimista).

O contingente votante no país não está ai. É a massa dos desconectados que decidirá a eleição. E é nesta a grande aposta dos políticos.

Não, políticos não gostam de Internet. Sarkosi quer controlar a rede na França. No Senado brasileiro tramitam inúmeros projetos para controle da Internet, usando como desculpa as questões de invasões, roubos de contas bancárias, pedofilia, pornografia. Sim, desculpa. Tal como a questão das armas, os atingidos serão os cidadãos de bem. Hackers, crackers, pedófilos, não serão atingidos por estes controles. E com certeza passarão a se aproveitar dos coitados usuários que forem cadastrados.

Não, políticos não sabem usar a Internet. E é lógico: se não entendo, não sei como usar. Na atual campanha surgiram os “e-santinhos”, “comunidades”, “blogs”, “campanhas de email marketing”. Utilizam para divulgar sua agenda, como se o povão conectado se interessasse. Mas o raio da interatividade nem pensar. Até porque eles não ouvem, só querem falar.

E ai está a grande falha. Não será uma fotinho com número, como avatar, que fará alguém votar na criatura. Ai outro erro básico: a rede é mundial, não votarei num candidato do Tocantins, nem do Amazonas.

Não, políticos não sabem usar a Internet. Até porque ‘a tal da Internet” não é panacéia: é ferramenta. Vem depois de um longo trabalho cara-a-cara, oho-no-olho, formando e constituindo as redes colaborativas na base, nas comunidades.

Mas Vossas Excelências só as procuram na correria, a cada 2 anos e por apenas os 60 dias da campanha. Como criar laços? Como conquistar a confiança?

Não, meus amigos, infelizmente a Internet não será ainda o fiel da balança. Assim como não foi na eleição americana. O tal “efeito Obama” foi outro.

“O furo é bem mais embaixo”.