Burguês sim, por que não?

É muito difícil sustentar um debate com quem sofreu profunda lavagem cerebral e assumiu um discurso panfleteiro, sem saber do que está falando.

Nos últimos tempos tenho ouvido muita bobagem por conta disto. Fruto do ódio motivado por questões rasteiras e mesquinhas.

Sim, sou BURGUÊS e me orgulho disto. Orgulho-me de meus antepassados europeus, mercadores de tecidos e peles. Daí o nome de minha família “Belbute” – do inglês “velvet”, significando pele, tecido, veludo. Tenho orgulho de pertencer a uma classe que promoveu as revoluções que mudaram o curso da história: Revolução Americana e Revolução Francesa.

Tenho orgulho de meu nome ser citado na obra de José de Alencar, “O Guarani”: “Os dois inimigos marcharam um para o outro, e lançaram-se; o italiano era ágil e forte, e defendia-se com suma destreza; por duas vezes já, o punhal de Álvaro, roçando-lhe o pescoço, tinha cortado o talho de seu gibão de belbute.” (Capitulo V)

Sim, meus amigos, foram os BURGUESES. Originalmente chamados de mercadores, viviam nos BURGOS: cidades muradas controladas pelos senhores feudais. Ai a origem do nome: BURGUÊS era quem vivia nos BURGOS.

Os BURGUESES, vejam só, eram mau vistos pela nobreza, apesar de prestar serviços aos nobres. Eram também chamados de “vilões”. Viram? Até os nobres da Idade Média consideravam os Burgueses vilões. Porém o termo em nada tem a ver com maldade ou prática de atos ilícitos. Vilão deriva do termo latino “villanus”, que os romanos utilizavam para designar quem pertencia a uma “Villa”, uma plantação, em suma, um camponês.

Os “vilões” eram descendentes de camponeses livres, no período do Feudalismo. Neste período, em Portugal, eram pessoas que viviam em pequenas cidades ou vilas, por exemplo.

Estes “vilões”, agora livres e sem alternativas, passam a se dedicar ao comércio. Nos BURGOS, se organizam, criam oficinas com mestres e aprendizes. Tiram da Igreja o monopólio da educação e passam a ensinar as praticas do comércio e dos números.

São defensores das liberdades civis e do livre comércio. E são os responsáveis pela queda dos privilégios do Feudalismo, fazendo ruir o absolutismo.

É neste contexto que as cidades se expandem, geram riquezas, promovem alianças com outras cidades, se desenvolvem. Sim, são os BURGUESES responsáveis pelos avanços tecnológicos.

Me assombro quando vejo pessoas, como donos de comércio, empresários de serviços, moradores de bairros nobres, proprietários de luxuosos carros importados, falarem “dos burgueses”. Falarem mau, é claro.

É simplesmente autofágico. E trágico. É como um suicídio assistido. Ou não sabem do que falam (meu primeiro pensamento, sou otimista) ou estão de fato dispostos a se livrarem das impurezas confortáveis do capitalismo, que até aqui tão bem serviram e se serviram.

Além da ignorância absoluta, esta a burrice escancarada. Como posso ser dono de um carrão ou carrinho importado e falar mal da indústria nacional, chamando-a de espoliadora? Ou acaso não sabem que com sua opção de compra capitalista estão promovendo o emprego e sustendo do trabalhador de fora, não de seu “cumpanhero” brasileiro?

É muita hipocrisia. Da nojo, asco, pena. Não sinto ódio nem raiva, por mais que sintam de mim. Tenho pena porque serão os primeiros arrependidos. Mas ai será tarde demais para chorar.

Sim, sou BURGUÊS, por que não?!

E por meus ancestrais, minha história, sou fruto da revolução, carrego no nome e corre em minhas veias, me impulsiona para frente. Sempre buscando o melhor para mim e para minha cidade.

Ou para o BURGO onde vivo.

Liberté, Egalité, Fraternité