Xadrez Político

Mais uma vez presenciamos a fragilidade dos partidos políticos, que se empenham na busca alucinada de votos, sem considerarem projetos de futuro para a sociedade. É tudo no pessoal, é “pra mim” e “pra ti”, nunca para o todo. É a insana luta pelo poder, poder pelo poder, para poder, para ter poder, para ser poder.

Nesta alucinada procura, pouco importa a biografia ou vida pregressa dos “candidatos”. Vale o poder de arregimentação, a capacidade de oratória, a competência de “vender gato por lebre” e engambelar todo mundo. Pelo menos todo mundo ignorante (no sentido de ignorar, não conhecer).

A prisão de Arruda, que pode ser comemorada como um marco jurídico, não chega a ser surpresa. Já deveria ter ido para a cadeia quando fraudou o painel de votações do Congresso. Mas era parlamentar, com prerrogativas, que os “ladrões de galinha” não têm. Daí teve a seu favor o privilegio da renúncia, com choro e discurso teatral, para garantir seus direitos políticos.

E naquela época estava no PSDB. Que o mandou embora. Mas o DEM, então PFL, não achou o “crime” tão grave assim e lhe abriu as portas para governar a Capital Federal. Agora, “porta arrombada, tranca de ferro”. Também o mandaram embora “porque não podem compactuar com falcatruas”. Ora, mas antes podiam?

Arruda vai renunciar novamente, talvez em mais um ato teatral e vai se candidatar novamente. Não agora, vai deixar a poeira baixar, ficará longe dos holofotes por um tempo e voltará à carga. Resta saber que partido lhe dará guarida.

E vem a cena Paulo Octávio. Lembram dele? Não? Lembram do Collor? Lembram da “tropa de choque” no Congresso, liderada pelo Renan Calheiros? Pois é, Paulo Octávio fazia parte daquele time. Lembram da Operação Uruguai? Do Fiat Elba? Pois então lembrarão do Paulo Octávio.

Paulo Octávio é conhecido na Capital Federal como o “dono de Brasília”. Não se enganem, ele não é dono de “uma” Brasília, mas “de” Brasília. Dono de time de futebol, empreiteiras (hum, empreiteiras!!!) e outras coisinhas.

E agora o DEM vem dizer que vai expulsá-lo também. Mas vem cá: e quando os convidaram, Arruda e Paulo Octávio, não sabiam de nada? Claro que sim, mas ai junta o dinheiro com as condições eleitorais favoráveis e pronto. Que interessa o passado dos caras! Passado é passado, ora bolas!

E está ai a fórmula. Dois mais dois igual a quatro. Quatro paredes de um cárcere.

E tudo isto vai estourar na campanha eleitoral, que será novamente uma baixaria, um tentando dizer que o outro roubou mais. Ninguém se salva, porque as alianças, neste regime político falido, não deixam espaço.

E de quem é, no final das contas, a responsabilidade? Dos partidos políticos, que aceitam em seus quadros qualquer um. O Marcola já avisou: tá tudo dominado. Daqui a pouco teremos as bancadas dos traficantes. Não duvidem!

A impunidade é apenas reflexo de tudo isto, com aprovação de leis que protegem mais uns que outros. E contamina toda a sociedade, que vê nestes exemplos, razão para agir da mesma forma. Mesmo que as tais leis não lhes favoreçam.

Tem gente boa nos partidos? Claro que sim. O que não dá para entender é como esta gente continua calada e aceita viver e conviver ao lado destes desqualificados. Não dá para entender como gente boa pode dividir palanque e fazer campanha, junto a crápulas, ladrões, cafajestes. Isto realmente não consigo entender.

Mas faz partes do “xadrez” político. Que às vezes, como agora, pode levar ao “xadrez”.