As Redes e os Políticos - I

A flexibilização da Lei Eleitoral quanto ao uso da Internet e de suas ferramentas e bem vinda e salutar para a democracia.

Todos querem tirar proveito do “Efeito Obama” e a partir da eleição do presidente americano, os políticos tupiniquins passaram a dar importância a este veículo.

A adesão ainda não é total e muitos ainda não se utilizam delas, até por desconhecimento, por não entenderem perfeitamente como desenvolvê-las. Alguns contrataram profissionais, empresas especializadas para cuidarem de seus blogs, twittes, sites e outras parafernálias tecnológicas. Outros optaram pelos estagiários (hehehe), como forma de tentar ter o melhor pelo menor custo.

Porém, pouquíssimos conseguiram adequar seus discursos aos padrões e público Internético. A maioria apenas coloca na Rede o mesmo de sempre, numa enfadonha e cansativa repetição de seus informativos ou jornaizinhos impressos. Não passam de “santinhos cibernéticos”. Uma versão eletrônica de suas mediocridades.

Coisas como interatividade, participação, abertura, atendimento, resposta, estão longe do dicionário desta turma. Consideram que publicar seus feitos e seus discursos será suficiente para mobilizar este novo público.

Ora, quem está acostumado com Orkut, Facebook, MySpace, Hi5, Twitter, Beebo, Ning, MSN, Skype, quer respostas rápidas, retornos rápidos, conteúdos enxutos, e, principalmente, participar, opinar. Ou seja, ser reconhecido.

Obama deu voz à população, principalmente das periferias e com base nas respostas colhidas, cunhou seu discurso. A palavra de ordem era “interação”. Que é o princípio fundamental para constituição de uma Rede. As pessoas, por se sentirem participantes ativas do processo, estavam estimuladas em fazer a campanha como voluntárias, pois passaram a acreditar no discurso, que era seu.

Parece simples. Mas tem uma forte carga de mudança cultural, principalmente dos caciques partidários e dos dinossauros políticos, que há anos estão no cenário e não perceberam as mudanças sociais proporcionadas pelas novas tecnologias.

Por outro lado, temos que considerar diferenças substanciais. Nos EUA, com uma população ao redor de 300 milhões de habitantes, 56% tem acesso à Internet, ou seja quase 170 milhões de pessoas. Já no Brasil, para uma população de cerca de 190 milhões, temos apenas 22% com acesso à rede mundial: 41,8 milhões de Internautas. Lá, 75% têm acesso por banda larga em casa, enquanto aqui o número é de 15% aproximadamente.

Não é a toa que nosso presidente quer reativar a Telebrás, para que seja a grande provedora de acesso banda larga do país. Estatal, claro, para ter domínio (não é redundância) sobre este novo universo.

Bem, mas de nada adiantará aos nossos políticos simplesmente aderirem às Redes de Relacionamento, se não atualizarem suas posturas e discursos. O povão da Internet os “limará” rapidamente.

E, para finalizar, volto a insistir: Redes virtuais não são Redes Sociais. Podem ser ferramentas destas, mas Redes Sociais se dão no espaço real, não virtual.