FEM e FSM: esvaziamento total e proposital

Chegam ao fim as edições 2010 dos Fóruns Social e Econômico Mundiais. Totalmente esvaziados, sem brilho e o pior: de propósito.

Pelas bandas de cá a organização, dita da sociedade civil (ainda tenho minhas dúvidas), resolveu pela “descentralização”, para obter maior “capilaridade” (já ouvi isto antes!). O resultado foi um redundante fracasso.

A distribuição de oficinas e palestras em cidades da Grande Porto Alegre e em diversos locais nestas cidades, incluindo Porto Alegre, criou enormes dificuldades ao público interessado, que não teve como se deslocar de um ponto a outro. Até porque os horários dos eventos eram incompatíveis com os horários dos transportes coletivos. Para não falar que diversos pontos não tinham ligação direta, que não fosse de carro próprio ou táxi.

Tive a oportunidade de conversar com diversas lideranças comunitárias, comerciantes ambulantes no Gasômetro, e alguns comerciantes no seu entorno. As palavras das lideranças foram de desagrado com o que ocorria: faltava divulgação; oficinas eram transferidas de local e horário sem aviso e o pior, nas palavras deles, eram os deslocamentos para outras cidades, pois não estavam em condições de arcar com os custos dos transportes. Já para os ambulantes, o movimento foi fraquíssimo. Mesmo para quem vendia alimentos e bebidas. O mesmo relataram comerciantes (bares e restaurantes do entorno da Usina).

E a constatação de um grande equivoco, talvez um dos propositais: as culpa da Prefeitura de Porto Alegre na organização. Por mais que tentasse explicar que a Prefeitura era tão somente apoiadora, na cedência de locais para realização dos eventos e de verbas, o pensamento geral ficou de sua culpa. Talvez possa se resgatar a verdade.

O fato é que esta edição teve um objetivo claro: esvaziar o Fórum em Porto Alegre e focá-lo em cidades da Grande Porto Alegre, governadas pelo PT. Ou seja, campanha explicita. Que anula a tese difundida pela organização de que o FSM é aberto a todas as tendências e pensamentos.

Não, um novo mundo ainda não será possível, enquanto o ódio e o revanchismo estiverem na pauta do dia. Quando de fato as diversas correntes de pensamento puderem ocupar os espaços de debates, trocando idéias civilizadamente, deixando que o público forme livremente seu juízo, ai sim estaremos caminhando para um novo mundo.

Já Davos sofreu uma espécie de boicote coletivo dos maiores mandatários mundiais. Sequer as estrelas do rock internacional que transitavam por seus corredores estiveram presentes. A crise de 2009 deixou seqüelas. E o discurso geral dos governos é por maior rigidez e controle sobre a economia, como se a liberdade econômica fosse a culpada pela crise e não os desmandos governamentais e o artificialismo de suas políticas econômicas.

O fato relevante sobre o FEM foi a ausência de Lula, premiado. E o estresse que os médicos reportam ter sido a causa de sua crise de pressão alta, talvez venha da divulgação pela mídia, de obras da Petrobras, colocadas sobre suspeita pelo TCU. Seria difícil explicar isto e certamente a imprensa internacional cobraria de Lula algumas explicações. Ou seja, o premio seria ofuscado por mais uma trapalhada em ano eleitoral.

E, diga-se de passagem, para não perder o tema, que o dito premio do FEM nada tem a que ver com as “obras sociais” do atual governo. Mas pela manutenção da política econômica, herdada de Fernando Henrique. Por mais que neguem, está escrito na história.

Enfim, um inicio de ano “xoxo” em termos de Fóruns. O daqui, comemorando 10 anos, nem bolinho com velas teve. O de lá, com aquele frio todo, nem com calefação pode aquecer o debate.

Para não dizer que sou negativista, destaco no Fórum daqui, a participação e posições de Marina Silva, pré-candidata do PV à presidência. Veio com discurso conciliador, menos radical e coloca na pauta dos demais candidatos o tema do meio-ambiente. Se vai ganhar, não sei, acho que não. E se ganhar, o partido não tem quadros suficientes para governar. Talvez daí seu discurso moderado, buscando simpatias de todas as correntes. Caso dê “zebra”, poderá compor uma “colcha de retalhos”, ainda mais collorida que de Lula.

Como diz meu amigo Políbio Braga, “quem viver, verá”.