Um plebiscito esvaziado

O resultado mais contundente do plebiscito realizado no dia 23 de agosto foi a ampla ausência e desinteresse dos Porto Alegrenses. De um total de mais de 1 milhão de eleitores, apenas 22 mil e 600 compareceram aos 89 locais de votação. E destes, tão somente 18 mil cravaram o NÂO como resposta. O que já era esperado.

Faça as contas: são menos de 2 % do eleitorado de Porto Alegre. A sorte e o destino de uma área degradada há mais de 20 anos foi decidida por menos de 2% da população. E menos da metade da população dos bairros vizinhos ao Estaleiro.

Ou seja: um retumbante fracasso. Desde o início, com informações distorcidas por movimentos que desejam emperrar a cidade e obstruir seu desenvolvimento, propagadas por uma mídia tendenciosa, de objetivos obscuros.

Claro que os apoiadores do atraso, partidários do NÂO, dirão que venceram, que a democracia prevaleceu, que o cidadão é que decidiu. É parte do discurso de enganação.

Valera apenas a construção de edificações comerciais, deixando aquela área deserta à noite e nos finais de semana, disponível para ocupação da marginalidade. Perde a cidade.

É claro que também podemos fazer outra leitura: a maioria da população, que não compareceu as urnas, sentiu que não tinha nada que decidir, uma vez que elegeu seus representantes na Câmara de Vereadores exatamente para tratar destas questões e que por ampla maioria já tinha votado pelo uso misto da área.

O que fica é a sensação de vazio. Sequer os partidários do atraso conseguiram mobilizar a população de forma a que comparecessem maciçamente.

Enfim, um plebiscito esvaziado. Diferente daquele em que o cidadão decidiu pelo contrariamente ao desarmamento.

Sigamos em frente, em outras frentes, buscando levar nossa “mui leal e valorosa” Porto Alegre ao século XXI.