Ora, Veja

Errar é humano, mas persistir no erro é no mínimo ideológico. Pelo menos neste caso e em outras reportagens do gênero.

A chamada “opinião pública” se forma baseada em informações que recolhe no dia-a-dia, seja através da mídia (rádios, jornais, revistas, telejornais, blogs, sites, etc), em fontes privilegiadas, fidedignas ou não, em conversas entre amigos, na rede de relações.

Mas é importante que tenhamos senso crítico quando captamos as informações, sabendo ler nas entrelinhas (às vezes nem tanto), avaliar a fonte, para não seguirmos repetindo feito papagaio, fatos que não correspondem à verdade. Não há “meia-verdade”, assim como não há “meio-grávida”. Ou é ou não é.

Veja já errou. Errou no caso do ex-ministro Alceni Guerra, massacrado no caso de superfaturamento no Ministério da Saúde. Errou com Ibsen Pinheiro, tomando como verdade informações do então assessor parlamentar Waldomiro Diniz (homem de José Dirceu na Casa Civil, de fenestrado do cargo após ser flagrado recebendo propina da jogatina, que culminou na MP que acabou com os bingos no Brasil). Lembram?

Estes são apenas alguns exemplos. Tantos outros veículos, jornalistas já cometeram erros. Não checando fontes, não checando informações, publicando açodadamente na ânsia do “furo”, na busca da manchete que consagre a carreira. É o mau jornalismo ou chamado “jornalismo marrom”.

Quando digo isto, não estou assumindo a defesa do governo Yeda. Se de fato há irregularidades, estão ai a polícia e a justiça para investigar, apurar e julgar. Com base em provas, fatos cabais, que não deixem margem a interpretações ou dúvidas.

E são exatamente muitas dúvidas que as últimas matérias de Veja e as repercussões nos jornais locais me trazem. Nenhuma certeza.

Que provas foram trazidas a público? Na reportagem da semana passada Veja apresenta entrevista com a Sra. Magda, dizendo reconhecer a voz de Marcelo Cavalcanti em gravações que ouviu levadas pela própria revista. E a transcrição das gravações, onde estão? Na matéria não aparece qualquer trecho.

Nesta semana, repercutindo a repercussão de sua matéria (desculpem, mas não tem outro jeito de dizer), nas Cartas ao Leitor, a revista diz que apresentou as gravações na matéria anterior e faz auto-elogio e propaganda de si mesmo. Está no seu direito, mas na verdade, não apresentou as gravações. Ai apresenta cópias de e-mails como “prova” de transações irregulares na captação de recursos para a campanha tucana ao governo. Apresenta o vice-governador, então candidato, confirmando ter enviado R$ 25 mil numa mochila para o tesoureiro do PSDB.

Por que numa mochila, embrulhado numa camiseta, em meio a outros “brindes”? Se foi avisado pelo doador ou intermediador da doação, por que não pediu ao próprio tesoureiro que fosse buscar e entregar o respectivo recibo? Ou melhor, por que não pediu que fosse realizado por depósito ou transferência eletrônica? E se houve negativa do doador em fazê-lo, por que aceitou e mandou buscar?

Percebemos que nos próprios jornalistas e chamados formadores de opinião há dúvidas. Em seus comentários, não refletem certezas, deixando no ar que sabem mais do que estão comentando, mas com temor de dizer tudo. Este é meu sentimento, lendo e ouvindo as repercussões na mídia local. Então há algo estranho no ar.

E continuo com mais dúvidas que certezas.