Coisas de compadres, comadres, etc

Acho muito engraçado políticos virem a público falar com a maior desfaçatez sobre o destino e uso do dinheiro que gastam, como se estes recursos fossem deles.

A “farra das passagens” ou, como prefiro chamar, “auxilio-disney” é só mais um de tantos maus exemplos de Suas Excelências. Não podemos esquecer da “farra dos combustíveis”, da “farra do auxilio moradia”, da “farra do reembolso de despesas” e das tentativas de esconder tudo isto embaixo dos tapetes da Câmara e do Senado sob o pretexto de incorporar estas benesses aos proventos.

Numa jogada ensaiada, sabe-se lá por que razões, após semanas no noticiário, vem o Sr. Presidente em defesa do indefensável: apoiar o uso das passagens para viagens das esposas dos Sres... Congressistas ou convidados, como sindicalistas. Ele mesmo disse que, quando deputado (em meio aos 300 picaretas, como chamou seus colegas na época), dava bilhetes aos seus colegas sindicalistas para irem à Brasília, ou Ilha da Fantasia.

Talvez o maior erro de JK tenha sido levar a Capital Federal para tão longe do povo. Uma idéia visionária, que deu errado. Longe do clamor público e a mercê de uma mídia claramente tendenciosa, os escândalos só emergem quando as informações ganham as ruas. Talvez apenas quando interesses maiores são contrariados.

Cadê os caras-pintadas? Cadê as centrais sindicais? Cadê os movimentos sociais? Onde estão as manifestações “populares” contra os desmandos?

Não, não, não estou falando em fechar Congresso. Não apoio a idéia descabida do Senador Cristóvão Buarque de realização de plebiscito para saber se o povo quer ou não a manutenção das casas legislativas. Também não endosso o coro dos que dizem que “todo político é corrupto”.

Até porque a corrupção não está lá, nos altos escalões. Ela está na base da sociedade. Câmara, Senado, Assembléias, Câmaras de Vereadores, Executivos Municipais, Estaduais e Federal são reflexos desta sociedade. Portanto, somos cúmplices.

Estes modelos de governo estão ultrapassados. Estes modelos de representatividade tornaram-se obsoletos. Não apenas no Brasil, mas no mundo todo. A atual crise mundial é apenas um sintoma deste desgaste. E aqui não tem nenhuma pregação Leninista-Marxista-Maoísta-Castrista-Chavista embutida. Estes já sucumbiram há muito e não serão solução, como o querem as viúvas e órfãos de Marx.

Penso que um modelo de Governança, de co-responsabilidade entre todos os atores sociais (governos, empresariado e sociedade), possa ser um novo modelo, mais eficiente, mais produtivo e pró-ativo. Penso que uma “sociedade-rede” possa sim representar um fator de virada, uma nova forma de compartilhar os destinos de todos nós, onde todos nós tenhamos voz e vez. Onde possamos elaborar agendas consensuadas e a partir dela construir efetivamente um futuro baseado no desenvolvimento local e sustentado.

Este novo modelo está germinando em diversos pontos do país e do planeta. Silenciosamente, serenamente, maduramente, formado por pessoas que cansaram de pensar o futuro a partir do passado e pensam o futuro a partir do futuro. Não é um movimento partidário e nem pode ser classificado como movimento social. Não está dentro da Academia, apesar de muitos acadêmicos dele participarem. Ainda não há uma classificação. E é melhor que nem tenha uma, que não tenha um rótulo, pois seria repetir fórmulas passadas e ultrapassadas.

Mas está vivo, pulsante e a cada dia mais e mais pessoas aderem. Vejamos no que dará.

O certo é que não podemos mais conviver com estas coisas de compadres, comadres, de jogadas ensaiadas, principalmente no que se refere ao nosso dinheiro, ao nosso suado dinheiro, desperdiçado em farras ou salvamento de empresas ou bancos ineficientes, incapazes de inovar. E inovação não é apenas uma nova forma de fazer o mesmo.Inovar não é apenas estratégia de marketing para parecer contemporâneo aos olhos do público. Inovação é primeiro e antes de tudo uma nova forma de pensar.