Vem ai a “deforma” política

Querem a todo custo “garfar” nosso direito de escolha. A propalada “reforma política”, embute o “voto em lista fechada” e o “financiamento público de campanha”. A alegação é que isto reduzirá o número de partidos, eliminará os chamados “partidos de aluguel” e tornará o processo mais transparente, fortalecendo as legendas.

Ora, senhoras e senhores, nada mais equivocado. Primeiro porque na prática já existe financiamento público e já tratei deste tema em outros artigos: acaso algum parlamentar com mandato não é naturalmente candidato a reeleição ou a eleição para novo cargo? Se assim é, então já está utilizando de nosso dinheiro em suas locomoções para as chamadas “bases” onde realiza sua campanha. Ou algum parlamentar se licencia do cargo para fazer campanha? Ao que saiba ninguém. Então já usam da estrutura de seus gabinetes, seus assessores e toda a máquina pública. Que é financiada com o dinheiro de nossos impostos. Ou seja “financiamento público”.

Segundo: se desejam de fato o fortalecimento dos partidos, então a lição deve começar em casa. A começar pela filiação partidária. É dever dos partidos analisar e avaliar o perfil de seus filiados, desde o ponto de vista ideológico, quanto do ponto de vista da vida pregressa de seus futuros membros. Hoje não é assim. Quem quiser vai até a sede de um partido, manifesta seu interesse, preenche uma ficha simples e pronto, já é um filiado. Não é feita nenhuma entrevista para avaliar se o cidadão conhece a ideologia do partido, se conhece o estatuto, as normas e regras partidárias, que serão apresentadas depois.

O certo deveria ser justamente o contrário: entregar todo material ao proponente (estatuto, programa, regras e normas), entrevista-lo e sabatiná-lo para aferir se de fato concorda com as linhas programáticas do partido, se está afinado com a ideologia do partido. Daí sim, não apenas assinar uma ficha, mas também um termo de compromisso, demonstrando estar ciente e de acordo com tudo que lhe foi apresentado. Junto com isto o levantamento de sua vida e entrega de currículo. Na seqüência, cursos de formação política, preparando o filiado para futuras candidaturas.

Desta forma os partidos poderão chegar à maturidade e deixar as desculpas de lado, cada vez que seus membros têm a vida dissecada em público. Também evitarão a infidelidade, pois o filiado firmou termo de compromisso com o partido, onde deverão constar as sanções nos casos de desobediência ou inobservância dos preceitos partidários.

Não sou jogador de Mega Sena ou loterias. Também não serei eleitor de “lista”. Prefiro saber em quem estou votando. A escolha é minha, meu direito fundamental como cidadão e eleitor.

Portando, sou contrário a “deforma” política que será apresentada ao presidente e que deverá entrar em tramitação no Congresso. Sou a favor da reforma política que defina um coeficiente eleitoral mínimo para existência de partidos; sou a favor das doações de empresas e pessoas físicas, de forma clara e transparente, com prestações de contas abertas e pela internet; sou a favor da fidelidade partidária e sou a favor de que os cargos eletivos são dos partidos, não dos candidatos; sou a favor da verticalização das eleições, onde as coligações sejam respeitadas nacionalmente e não esta colcha de retalhos, onde dois partidos são adversários numa cidade ou estado, mas estão coligados na cidade ou estado vizinhos.

Aliás, sou a favor do retorno das ideologias partidárias, que foram esquecidas nos últimos pleitos, tornado tudo homogêneo, todos falando a mesma linguagem, causando uma grande confusão aos eleitores.