Por que não temos ministro da educação?


Em 18 meses do governo Bolsonaro, o país teve, até agora, três ministros ocupando a pasta da educação.

Vélez Rodrigues durou 96 dias, numa gestão tumultuada, demonstrado sua total desqualificação para o cargo. Gerou atritos com o congresso, gerou atritos com os demais ministérios, promoveu nomeações e em seguida demissões de técnicos em diversas áreas do ministério, promoveu mudanças nas aquisições de livros sem referências bibliográficas, entrou em atrito com a área acadêmica, tentou implantar a filmagem de posturas de professores nas escolas, numa verdadeira “caça às bruxas”. Indicado pelo “Guru de Virgínia”, caiu por sua incompetência.

Seu sucessor, o polêmico Abraham Weintraub, não foi menos histriônico: também indicado pela “ala ideológica”, gerou ainda mais atritos com todos os setores ligados à educação, com o congresso. Sem papas na língua, dizia o que bem entendia e promovia postagens fakes, atacando tudo e a todos contrários ao seu pensamento, bem ao estilo de seu chefe e ídolo. Além da paródia de “Cantando na Chuva”, pediu a prisão dos ministros do STF e fechamento da suprema corte, na famosa reunião do dia 22 de abril de 2020. Projetos para a educação? Nenhum. Também caiu por sua incompetência, mas ao contrário de seu antecessor, ganhou uma cadeira no Banco Mundial, como prêmio por sua fidelidade ao presidente.

Na sequência veio Carlos Decortelli. Como diz José Simão: o Brasil é o país da piada pronta. E Decortelli não foi mais que uma grande piada. Durou apenas cinco dias na função e caiu sem sequer tomar posse. Cheguei a elogiá-lo, após ouvir sua entrevista na Rádio Gaúcha. Fui apressado, eu sei. Talvez movido pela ânsia de ver alguém capaz de levar adiante um projeto de educação para o país. Me frustrei ao ver as denúncias sobre sua falsidade curricular. Como seu chefe, um mentiroso contumaz, capaz de editar o currículo ao sabor dos acontecimentos, colocando e retirando títulos que jamais conquistou. Não bastasse ser apanhado em tantas mentiras, após sua saída, incluiu sua passagem pelo ministério da educação no currículo.

Mas afinal, por que não temos um ministro da educação?

Porque não temos um projeto de país, não temos um projeto de nação e sequer temos um projeto de governo.

Bolsonaro foi eleito de forma plebiscitária, uma espécie de protesto gigantesco aos desmandos dos 16 anos de gestão petista. Porém, como alertei desde o início, Bolsonaro não tinha nenhum projeto, nenhuma plataforma. Experto, viu no seu falso discurso contra a corrupção, eco na população. Firmou seu mantra e conquistou a presidência, sem quadros qualificados, sem propostas concretas, sem programa de governo. Um absoluto ZERO.

Apresentou ao país dois “super ministros”, como forma de consolidar algo de concreto: Paulo Guedes, que conduziria o país à retomada do crescimento e desenvolvimento, através de uma pauta de reformas necessárias; Sérgio Moro, o ícone no combate a corrupção, elevado a herói da República, por sua atuação como juiz implacável na Operação Lava -Jato. Chegou mesmo a ser comparado a Eliot Ness, lendário agente do Tesouro Americano, conhecido por ter conseguido prender o famoso e poderoso gangster Al Capone. Moro tinha um projeto para a justiça brasileira, sabotado por Bolsonaro desde o início.

Infelizmente o país nunca teve a educação como verdadeiramente uma prioridade. As poucas e fugazes experiências de Brizola e Darci Ribeiro, tanto no Rio Grande do Sul como no Rio de Janeiro, não foram capazes de elevar a educação a sua real importância.

Não é por outra razão que o país está nas últimas colocações nos rankings internacionais, acima apenas de alguns poucos países, como Indonésia, Kosovo, Marrocos, Líbano e Filipinas. Dos 79 países avaliados em 2019, ficamos na 68ª posição:

- Leitura: 61ª posição.
- Ciências: 65ª posição.
- Matemática: 67ª posição.
- Ranking geral: 68ª posição, com uma média de 377 pontos.

Por que não temos ministro da educação no Brasil? Porque educação não é prioridade. É mais uma frente na guerra ideológica, buscando manipular as massas, ao sabor daquele que ocupa o poder.

Silvio Luiz Belbute
Jornalista e sociólogo
MTb 0018790/RS

Repensar as cidades


A atual crise sanitária global nos remete a repensarmos valores, premissas, conceitos, enfim, nosso modo de vida nas últimas décadas.

No Brasil, mais especificamente, sofremos com o êxodo rural a partir dos anos 1960, acentuando-se nos anos 1970, como resultado da mecanização da agricultura.

Em 1970, por exemplo, a taxa de urbanização era de 55,9%. De uma população total, na época, de 95,11 milhões de habitantes, 52,9 milhões viviam nas cidades e 41,6 milhões viviam no campo. No último senso, de 2010, o quadro mudou radicalmente: dos 195,7 milhões de habitantes, 160,9 milhões viviam nas cidades, enquanto apenas 29,8 milhões permaneciam das zonas rurais.

O inchaço das cidades trouxe um sem-número de problemas, a começar pela infraestrutura básica, como saneamento e tratamento de água, capaz de suprir as elevadas novas demandas. Mas não apenas isto: redes de saúde, escolas, moradias. Tudo insuficiente para atender aos novos cidadinos.

Nos grandes centros urbanos, as pessoas se deslocam por diversas horas, sendo obrigadas a utilizar – muitas vezes – mais de um meio de transporte, para chegarem aos seus locais de trabalho. Além dos custos diretos e indiretos envolvidos – passagens, frotas de ônibus, linhas de metrôs, infraestrutura viária – também há de se considerar os custos físicos e emocionais.

É necessário repensarmos nossos modelos, nossos padrões de vida, de trabalho, de organização urbana. É necessário criar novas oportunidades, mantendo as pessoas próximas de suas moradias, mais próximas de suas famílias, oportunizando opções de trabalho dentro de seus bairros, evitando grandes deslocamentos.

Reestruturar as cidades e planejar sua expansão, de forma a permitir que os cidadinos tenham os recursos regionalizados, atendendo suas demandas básicas, melhorando não apenas suas condições de moradia, como também de saúde, educação e segurança.

Alguns ensaios já estão sendo produzidos, pela iniciativa privada, com a construção de bairros planejados, em muitas cidades. Porém, o foco é exclusivamente comercial, voltado as pessoas com maior poder aquisitivo. É preciso que a iniciativa privada e o poder público se unam nesta tarefa urgente.

“Não há como encontrar a felicidade em uma cidade com mais de oito mil almas” (Leonardo da Vince)

Silvio Luiz Belbute
Jornalista e sociólogo
MTb 0018790/RS

Visões sobre a pandemia - impactos na indústria do entretenimento

Nesta edição converso com Christian Astigarraga Ordoque - Historiador, consultor e produtor do Feirão dos HQs e com Rodrigo de Oliveira - jornalista, crítico de cinema e produtor do Almanaque 21.
Falamos sobre cinema, TV, séries, publicações e feiras do segmento de entretenimento, suspensas durante a pandemia.

Serviço:
Feirão dos HQs - https://www.facebook.com/feiraodashqs/
Almanaque 21 - https://www.facebook.com/almanaque21/

Visões sobre a pandemia - tecnologias da informação: impactos e soluções

Bate papo com o diretor presidente da Softsul - Associação Sul-Riograndense de Apoio ao Desenvolvimento de Software - José Antônio Antonioni, sobre os impactos e soluções do setor na atual crise sanitária.

Ciência não é uma abstração

Ciência, do latim scientia (conhecimento, saber), não é uma abstração. É real e tudo que há, se deve a ciência. Não importa se o método foi empírico (baseado na experiência) ou científico (baseado em observação). Até porque, na maioria das vezes se parte do empirismo como observação dos fenômenos, para então buscar entendê-los, explicá-los e comprová-los.
Nas ciências sociais não é diferente: filosofia e sociologia se encarregam de observar os fenômenos sociais, propondo hipóteses, formulando teorias e finalmente chegando a conclusões sobre suas motivações e consequências.
E há também as ciências jurídicas, as ciências médicas e por aí vai.

E para tudo, há métodos.
Dizer da ciência uma "abstração", é apenas mais uma manifestação do pensamento obscurantista, refutando hipóteses e teorias, baseado exclusivamente em "crenças".
É assustador, em pleno século XXI, percebermos crescer este obscurantismo, procurando rechaçar o enorme acúmulo de conhecimento conquistado pela humanidade nós últimos séculos.
É assustador percebermos que hoje Galileu Galileu, poderia ser novamente preso, ao demonstrar a farsa na crença do geocentrismo.
É assustador percebermos que as palavras de um leigo tem mais valor que as palavras de um cientista.
Ciência não é uma abstração. Veja a tua volta, tudo o que tens ao teu redor, desde a água que sai da tua torneira... é tudo real, é tudo ciência.
Ciência é conhecimento. Refutar o conhecimento, nada mais é que obscurantismo.

Sílvio Luiz Belbute
Jornalista e sociólogo
Mtb 0018790/RS